Deep below,
Each word gets lost in the echo

Quarta-feira, 10 de Junho de 2020

The Only Exception | 34

Perguntas para as quais não tinha as respostas que ele procurava. Não queria ter de responder. Ele estava pura e simplesmente a ser meticuloso e cuidadoso na abordagem, isso podia ver com clareza. Agora fazia tudo sentido. Podia sentir-se ofendida. Podia; mas tudo o que sentia era pena e alguma frustração por não poder ser de grande ajuda. No entanto, não conseguiu evitar uma pontinha de nervosismo. Um nervoso que escalou gradualmente quando finalmente se sentaram para tomar o pequeno-almoço.

Nathan estendeu-lhe um prato com duas torradas e ovos mexidos que ela aceitou com alguma hesitação, sem tirar os olhos da mesa. Algo que o deixou intrigado e peculiarmente interessado. Ele sentou-se do outro lado da mesa, comendo lentamente enquanto a observava. Louise não sabia ao certo o que ele estava a tentar fazer; mas estava a surtir efeito. Não gostava de ser observada daquela forma. Detestava, na verdade. Sentia-se tão desconfortável que conseguiu algo quase impossível, engasgar-se com o próprio ar.

- Tenho alguma coisa na cara? – Perguntou baixinho, sentido o rosto corar violentamente pelo esforço das tossidelas.

Nathan balançou a cabeça.

- Precisamos falar. – Disse por fim. Louise engoliu em seco. – Não vou bater no arbusto e vou directo ao ponto.

- Nem serias tu se assim não fosse. – Protestou, por entre um suspiro resignado. Trincou uma torrada desanimada, enquanto a mão livre brincava nervosamente com a ponta da toalha da mesa. – Não vejo o que haja para falar.

Nathan suspirou, inclinando o tronco sobre a mesa após afastar o prato do seu pequeno-almoço. Sabia que aquela conversa era desconfortável para Louise e que a probabilidade de ela lhe poder dar informações cruciais era reduzida; mas tinha de tentar.

- Não é o meu passatempo favorito como deves calcular. Falar. Falar contigo principalmente; mas as circunstâncias em que nos encontramos assim o obrigam.

Louise franziu o cenho algo irritada, pousando de imediato a torrada. O seu descaramento não conhecia limites. Era impressionante. Antes mesmo que pudesse falar o que quer que fosse, Nathan levantou-se e segurando-a por uma das mãos, arrastou-a porta fora até à praia.

- Nat-

- Acompanhas-me numa pequena caminhada? – Deixou escapar, interrompendo o protesto dela.

- Como é que eu poderia recusar. – Cuspiu aborrecida.

Ignorando o seu protesto Nathan seguiu com Louise pela mão ao longo do areal, junto ao mar. O silêncio estabelecera-se e prolongara-se por tempo indefinido enquanto caminhavam. Louise olhou para a mão que ele prendia e mordeu o lábio inferior, perguntando-se porque motivo o deixava arrastá-la daquela forma. Embora a segurasse gentilmente, Louise sentia-se ligeiramente coagida como se a sua opinião não fosse importante.

Observou-o, estreitando os olhos com resignação quando ao estudá-lo percebeu que a postura de Nathan era no mínimo suspeita e pouco habitual. Enquanto ela arrastava os pés no areal e se forçava a seguir imediatamente atrás dele, Nathan lançava um pé atrás do outro, num passo longo, firme e assertivo. A sua descontração e capacidade absolutamente irritante de fazer parecer que estava no controlo de tudo permaneciam quase que intactas. Quase. Não fosse a tensão contida que podia vislumbrar no seu rosto ou na força que impelia sobre a sua mão estar a denunciar que algo o incomodava profundamente.

Nathan parou uns metros adiante e os dedos dele afrouxaram-se sobre a sua mão, soltando-a logo depois. Depois, viu-o aproximar-se da rebentação das ondas de mãos nos bolsos em silêncio, embrenhado por instantes nos seus pensamentos. Parecia distante e perturbado. Louise suspirou, arrastando um dos pés na areia enquanto o observava à distância.

- Quem é ele?

A impetuosidade daquela pergunta fez Louise estremecer. O seu pé inquieto parou junto do outro instintivamente. Louise mordeu o lábio inferior e quando levantou o rosto surpreendeu-se ao ver Nathan na sua frente. A sua expressão era austera e pouco amigável, deixando-a ligeiramente apreensiva.

- Como assim, quem é ele? Que tipo de pergunta é essa? – Retrucou num gaguejo ofendido. A pergunta soou-lhe um tanto invasiva e pessoal como se ele estivesse a acusá-la de algo. – É a minha primeira vez aqui nos Hamptons, não ando propriamente a tentar conhecer todas as pessoas com quem me cruzo.

Nathan deixou escapar uma risada sarcástica e impaciente.

- Não foi isso que eu quis dizer. E tu sabes.

- Sim, eu sei. – Respondeu aborrecida. – Mas a forma como abordaste o tema não foi propriamente a mais correcta. Eu podia interpretar isso como ciúmes por exemplo.

- Ciúmes? – Nathan repetiu inquisidoramente, de olhos esbugalhados. – Não me faças rir. Só quero saber-

- Quem é ele. – Interrompeu-o rispidamente. – Eu sei disso, já percebi.

- Ainda bem. Eu e tu… – Começou por dizer, parando por instantes para pensar em como abordar a questão sem fugir aquilo que realmente os levara ali. – McKenzie, só quero confirmar a identidade do sujeito com quem estavas. É importante. Ou pode até nem ser nada de relevante, de qualquer forma preciso saber.

Louise suspirou pesadamente e sentou-se na areia com um ar miseravelmente infeliz.

- Não sei muito sobre ele. Chama-se Mike.

- Mike? – Nathan deixou escapar, engolindo em seco. – Mike quê? – Perguntou, ajoelhando-se na frente de Louise.

- Não sei Nathan. Lamento. – Respondeu. – Nem ele sabe. Não sei se ajuda; mas vou contar-te tudo o que sei. Naquele dia que fui até ao bar para te entregar as compras que tinhas deixado esquecidas em casa, acabei por andar meio perdida.

- Que novidade. – Disse desdenhosamente. Louise lançou-lhe um olhar circunspecto. – Continua.

- Dispenso esse tipo de comentários.

- É mais forte do que eu. Quando pões os pés fora de casa, é sinal de sarilhos. – Respondeu divertido. Louise rosnou-lhe e socou-o no peito.

- Se não te importas vou regressar. – Respondeu, inclinando-se para se levantar do chão.

Nathan porém, antecipou-se e segurou-lhe um dos braços, fazendo-a cair sentada no meio das suas pernas. Louise abriu a boca para protestar; mas mais uma vez foi infeliz no intento.

- Não quero usar de métodos pouco próprios, se isto só por si não resultar; mas é o que farei se abrires a boca em protesto. – Disse muito sério, colando-lhe o dedo indicador na boca. Louise engoliu em seco, sabendo de antemão a que métodos ele se referia. Poderia render-se a eles; mas não o faria por mais tentada que estivesse. – Quero ouvir o resto da história. Continua, por favor.

Louise balançou a cabeça com alguma hesitação e prosseguiu o seu raciocínio.

- Eu não tenho um bom sentido de orientação, principalmente em lugares que não conheço bem. Para onde quer que olhasse só via areia e água. Se não fosse pela água poderia julgar-me num passeio pelo deserto sem bússola para me orientar e não, nem a motivação para estar contigo ajudou infelizmente.

Nathan calou uma gargalhada. O assunto era sério; mas reconhecia que ela se esforçava para ser o mais natural possível. A sua falsa descontração enquanto falava era traída pelos floreados que usava para lhe contar quem era Mike e como o conhecera. Sem esquecer aquele seu sentido de humor que ele até então desconhecia existir e que parecia agradar-lhe de uma forma inexplicável.

- Não é difícil imaginar-te nessa situação. – Disse baixinho, fazendo-a rir.

- O meu pé também não estava propriamente a ajudar-me nessa tarefa, até que desisti. – Louise continuou calmamente, observando Nathan de perto. Ele parecia ter-se ausentado por instantes. – Nathan?

- Hum? – Murmurou distraído.

Perceber que ele fora de certa forma o causador do agravamento da sua lesão, haviam-no distraído por momentos. E sentiu-se culpado por naquele mesmo dia ter levado Laura consigo para conhecer Ellen e a casa de praia, pois ainda que não sendo intencional, obrigou Louise a mais uma caminhada desnecessária para o evitar. Os seus punhos fecharam-se por instinto sob a areia e o seu maxilar cerrou-se.

Louise virou-se, contemplando a expressão fechada e algo irritada de Nathan que olhava para o mar distraído, sugerindo que em algum momento daquela conversa ele deixara de prestar-lhe atenção. Com um suspiro pesaroso, virou-se para o mar e aguardou em silêncio. Não sabia se deveria continuar, nem o que foi que dissera que a levara a perdê-lo.

- Nathan! – Disse baixinho. Nathan mirou-a em segredo e permaneceu em silêncio. – Devo regressar? – Perguntou com hesitação, brincando com a areia. Não queria deixá-lo; mas compreenderia se ele quisesse ficar sozinho.

- Não. Desculpa. – Respondeu prontamente. – Quero saber tudo a respeito desse Mike.

Ela balançou a cabeça e grunhiu em concordância.

- Como dizia, houve um momento em que simplesmente desisti de procurar por um bar de praia que até onde eu sabia não existia em lugar algum neste vasto e longo areal. – Riu. – O meu pé também não estava propriamente em boas condições, então parei. Sentei-me por instantes no areal junto ao mar e foi quando o Mike apareceu. Não vi de onde ele veio; mas pela forma como me abordou parecia que havia estado a observar-me enquanto caminhava para frente e para trás em meio à minha indecisão.

Nathan não soube explicar a sensação de desconforto que o percorrera ao ouvi-la falar de Mike de uma forma tão intima. Quando foi que isso acontecera? Tomar consciência de que alguém realmente a observara com um peculiar interesse ainda que por ora desconhecesse as suas verdadeiras intenções também não estava deixá-lo propriamente feliz.

- Um tanto intrometido. – Deixou escapar por entre uma tossidela.

- Intrometido? – Louise calou uma gargalhada. Nem tentou perceber porque raio ele o achava um intrometido, não se atreveria. – Nem um pouco, até porque foi graças a ele que encontrei o bar. Ele percebeu que eu estava perdida e ofereceu-me ajuda. Depois que deixei o saco-

- Sem me falares. – Disse em jeito de provocação, interrompendo-a de imediato.

Louise bufou.

- Não sabia que fazias questão. – Respondeu num tom sarcástico. Nathan tossicou atrapalhado, sentindo-se como se estivesse aos poucos a revelar algo que queria manter em segredo.

- Não faço. – Atalhou com uma falsa convicção. Louise sorriu disfarçadamente.

- Hum… exacto. – Murmurou. – De qualquer forma, deixei a sacola com o teu colega e sai. O Mike ainda estava por ali quando regressei ao areal. – Louise hesitou por instantes antes de prosseguir, não sabendo o quanto deveria revelar sobre o que pensava a respeito de Mike.

Na verdade tinha receio de ser mal interpretada ao demonstrar uma peculiar afeição por alguém que mal conhecia. Nathan pousou a cabeça no ombro dela gentilmente.

- Sim. E a seguir? – Perguntou desvinculado de qualquer emoção.

- Eu não sabia se ele havia ficado à minha espera; mas depois de me ter ajudado não me pareceu correcto deixá-lo sem agradecer e sem me despedir dele. – Os lábios de Nathan rasgaram-se num estranho e misterioso sorriso. As características que definiam Louise somavam-se e complementavam-se na sua cabeça de forma inesperada, como um puzzle. Aquele seu jeito muito humano, por mais destrambelhada que fosse, era inevitavelmente o seu ponto fraco, talvez mais do que isso, era o que o conquistava ainda que não fosse intencional. – Aproximei-me dele e não pude deixar de reparar nas cicatrizes que inicialmente me passaram despercebidas. Eu não queria intrometer-me na vida dele; mas acabei por ficar com ele mais um pouco e algures no meio da nossa conversa ganhei coragem para lhe perguntar a respeito delas. A princípio foi por mera curiosidade; mas algo na hesitação dele em responder-me e no seu semblante que automaticamente se transformou fez-me perceber que elas iam além de meras cicatrizes físicas.

- Como assim? – Perguntou Nathan repentinamente, levantando-se agitado por instantes. Louise mordeu o lábio inferior nervosa e ergueu-se, indo de encontro a Nathan. – Como assim? – Repetiu, virando-se para Louise e segurando-a pelos ombros com alguma urgência.

Nathan pareceu-lhe ansioso e angustiado. Algo nele, a dor nos seus olhos fê-la querer abraçá-lo por instantes; mas era importante continuar. Esperava honestamente que algo naquilo que sabia lhe trouxesse alguma paz de espirito.

- As cicatrizes do Mike são bem mais profundas, são do foro emocional. Quando lhe perguntei sobre o seu nome, ele não soube responder-me. Ele sofreu um acidente enquanto cumpria serviço militar e perdeu grande parte da memória. Fora o stress pós traumático é claro. Sabe que se chama Mike porque a placa que o identifica e é característica em todos os soldados o identifica como Mike. Mike V.

Nathan agitou-se mais uma vez, as suas mãos apertavam-na com demasiada força aquela altura e os seus olhos pareciam vazios e perdidos como se tivesse acabado de ver um fantasma. Aquilo era demasiado surreal; mas a verdade é que os pormenores se encaixavam no perfil do irmão, porém, Nathan resistia à tentação de acreditar verdadeiramente que ele pudesse ser Michael. Louise mordeu o lábio inferior calando um protesto, quando ele a sacudiu intempestivamente.

- Mike V.?

- Ele não sabe o que significa o V. Não se lembra. – Respondeu. Com um esgar de dor procurou soltar-se; mas não conseguiu. – Nathan, estás a magoar-me. – Ele pareceu não ouvir. – Nathan! – Exclamou. Sem resposta. – Vanderbilt! – Gritou-lhe.

Nathan soltou-a e esfregou os olhos com alguma violência. Depois sentou-se na areia meio perdido. Não tinha como negar, aqueles factos pareciam realmente interligar-se de forma muito congruente; mas não sabia se teria coragem para enfrentar o que se seguia. A dor era maior, tão profunda como se nunca a tivesse colocado de parte. Não sabia o que fazer. Louise aproximou-se em silêncio, hesitando por instantes. Porém, não resistiu a consolá-lo. Ele parecia estar a precisar e embora não soubesse exactamente como deveria fazê-lo, tentou de alguma forma. Ajoelhou-se em frente a ele e por instantes, Nathan não tirou os olhos da areia.

Não era vergonha, Louise reconhecia. Ele apenas não sabia como reagir a tudo aquilo. Louise segurou o seu rosto com as duas mãos e ergueu-o lentamente, fazendo-o olhá-la com alguma hesitação. Os seus olhos marejados recusavam-se a chorar.

- Nathan! – Exclamou baixinho.

Inesperadamente, ele puxou-a para um abraço apertado que quebrou as suas defesas sem nem tentar muito.

- Não é vergonha nenhuma chorar. – Disse-lhe em segredo. – Podes fazê-lo, prometo que será o nosso segredo.

Nathan fungou por instantes e no final riu, afastando-se dela ligeiramente. Os seus olhos perderam-se nela momentaneamente. Os seus lábios a uma distância tão curta pareceram-lhe verdadeiramente tentadores como nunca antes; mas sem saber como resistiu.

- Qual o batalhão a que pertence? É do exército, marinha, algum outro?

- Ele também não se recorda. E não se sente preparado para revirar por completo essa fase da vida dele. Na verdade, ele vive de pequenos flashes de memória que aos poucos voltam. Mas são tão dispersos e confusos para ele. Como por exemplo, os Hamptons. Ele veio aqui por conta de um desses vagos flashes.

- Será que é o Mike? O meu irmão? – Perguntou baixinho, sabendo que ela não poderia confirmar as suas vãs esperanças. Ela queria fazê-lo.

Louise abanou a cabeça.

- Não sei. Honestamente, não sei. O pouco que sei do teu irmão, também me fez questionar se havia a possibilidade de ele ser o mesmo Mike. A história é muito similar. E a reacção dele ao ser confrontado pela Ellen… Pergunto-me se ela o fez lembrar-se de algo que o fez correr daquele jeito.

- Como posso encontrá-lo?

- Não sei exactamente; mas posso tentar saber onde ele está alojado.

- Não. – Respondeu peremptoriamente. Louise arqueou uma sobrancelha indignada.

- Porque não? – Quis saber.

- Porque és sinónimo de sarilhos, não quero que me arranjes problemas.

Louise abriu a boca escandalizada com o seu à vontade em ofendê-la. Na verdade, em meio às circunstâncias, ela não sabia bem o que lhe dizer a não ser chamar-lhe todos os nomes feios de que se lembrava. Levantou-se encrespada e lançou-lhe um olhar ameaçador.

- Seu ingrato. Orgulhoso e prepotente. – Sibilou irritada. Nathan engoliu em seco. Ele não queria sujeitá-la a perigos desnecessários, ou que se perdesse algures, só iria acrescentar às suas preocupações e não queria, nem sabia como dizer-lhe que se preocupava. – Não sei porque ainda me preocupo. Faz como entenderes.

- McKenzie. – Bufou frustrado.

Mas ela ignorou o seu protesto e seguiu em direcção a casa sem nunca olhar para trás.

Há muito tempo que não me sentia inspirada ou com vontade de escrever. Voltei recentemente a pegar nisto, fiz algumas revisões e tenho conseguido avançar por incrível que pareça. Há ideias, há vontade... não é abundante; mas há, ela está aqui. A história será dividida em pelo menos três partes - algo que decidi por estes dias, pois parece-me fazer sentido dado a extensão daquilo que tenho em mente - e creio que não faltará muito para encerrar a primeira. Ó e é verdade... o Zac como o conheciamos deixou de ser Zac e passou a chamar-se Noah, não sei porquê mas não estava a fluir. De resto tudo igual.

publicado por a.nee às 20:15
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The Only Exception


Nathan Vanderbilt tinha uma vida normal - até ao dia em que conheceu o seu pior pesadelo: Louise McKenzie. Sério, frio, calculista, prepotente e irrepreensivelmente inteligente e popular no colégio; enquanto Louise não passa de uma rapariga normal com notas medíocres; sonhadora, sensível, intensa e verdadeira espera reunir as condições necessárias para se aproximar do coração enregelado do filho mais velho dos Vanderbilt a quem nunca nenhuma namorada se lhe conheceu. Numa luta interior constante, Nathan irá perceber que não tem como fugir á realidade, à novidade e aquilo que sente pela filha do melhor amigo do pai.

SOBRE A HISTÓRIA.


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