Deep below,
Each word gets lost in the echo
Domingo, 7 de Setembro de 2014

The Only Exception | 10

Louise sentou-se num banco perto do lago por instantes. A sua cabeça girava mais do que o normal. Sim, ela normalmente girava e enchia-se de futilidades e infantilidades, mas esta não era uma dessas alturas. Por mais voltas que ela desse, chegava sempre à mesma conclusão e honestamente, não teria como fugir dela. O melhor era encará-la sem medos. Nate entrara na sua vida por algum motivo. Se ficaria nela? Louise não sabia; mas pela primeira vez sentiu necessidade de lutar por algo. Talvez o fizesse. Como seria ou se teria a coragem necessária para ir em frente, era assunto para outro dia. Então, ao olhar para o relógio quase caiu do banco. Estava tão tarde.

Levantou-se e numa correria desbravada e meio atrapalhada que a fez tropeçar por duas vezes chegou à estação do metropolitano mais próximo. Agarrada às pernas e a respirar com alguma dificuldade viu o comboio entrar a uma velocidade quase estonteante. Entrou a arrastar-se e sentou-se num lugar vago, junto à janela onde apoiou o braço e deitou a cabeça. O silêncio não se propagou por muito tempo, o burburinho lá longe era a melodia de fundo em qualquer altura, em qualquer lugar em Nova Iorque. Quando chegou a Queens passava pouco das sete da tarde, e com a ideia de se apressar acabou por tropeçar em pelo menos três pessoas, que destilaram algumas palavras de difícil compreensão, porém feias e ofensivas as quais ignorou com um simples pedido de desculpa. Se algum dia se atrevesse a contar, com certeza desculpa era a palavra mais gasta do seu vocabulário.  

Seguiu caminho, numa marcha agitada e apressada quando finalmente os seus olhos se pregaram na sua residência. Cheguei. Pensou, deixando escapar um suspiro cansada. Por instantes, achou que esse momento demoraria a chegar. Culpa sua, claro. Ao olhar para o relógio que trazia no pulso sobressaltou-se. Eram oito horas. Entrou ainda em silêncio, pensando como seria bom se pudesse estender-se sobre uma cama naquele instante. Quando saiu de casa após o almoço não achou que a tarde se prolongasse tanto, porém, regressar à rotina trazia alguma normalidade à sua vida.

- Já estou em casa. – Disse distraída, fechando a porta atrás de si.

Quando se virou, tinha Letizia com um sorriso enorme no rosto para a receber com um entusiasmo aconchegante, que ela sabia agora ser-lhe característico.

- Ó! – Exclamou Letizia. Ela parecia-lhe um pouco esbaforida, como se tivesse corrido desde os fundos da casa; mas ao observar o avental que vestia Louise sorriu. Letizia largara o jantar por instantes apenas pelo prazer de a receber em casa, como se ela fizesse parte da sua família. Aqueles gestos tão simples faziam-na querer chorar por ter tantas saudades do tempo em que era Reiko quem a recebia com um entusiasmo igual. – Já cá estás, querida. Vem comigo. – Disse, levando-a consigo pela mão. – Estávamos todos á tua a espera.

A gargalhada intencional; mas elegante e inocente de Letizia deixaram Louise constrangida e um pouco preocupada. Todos? Perguntava-se. Não sabia o que esperar. O seu corpo foi arrastado até á sala de estar. Uma parte de si sentia-se tentada a protestar; mas o silêncio pareceu-lhe algo sensato. Baixou o rosto e os olhos para os pés até pararem à entrada da sala, lugar onde finalmente se sentiu segura o suficiente para ver onde Letizia a levara com tanta pressa. Lentamente o desconforto tomou conta de si. A primeira pessoa que viu foi Nate.

- Huh? – Guinchou sobressaltada, recuando dois passos. Os sacos que trazia nas mãos cairam desamparados ao seu lado ao esbracejar estupefacta. Arregalou os olhos e tapou a boca aberta de espanto com as mãos. Ele estava sentado descontraidamente num dos sofás a ler um livro. Aquele seu ar intelectual era verdadeiramente sedutor e por instantes sentiu vontade de rir; mas não conseguiu. Estava demasiado petrificada para conseguiu mexer-se mais do que necessitava. – Não é possível! – Exclamou descrente.

Jamais se atreveria a dizer que Nate era aquele rapaz que vira nas fotografias naquela mesma sala de manhã. Talvez fossem antigas. Letizia aproximou-se com uma risada discreta. As mãos dela suavemente pousadas sobre os seus ombros davam-lhe uma sensação de bem-estar, conforto e segurança, no entanto, não passava disso mesmo, uma sensação passageira. Engoliu em seco e levantou novamente o olhar para todos na sala; mas não resistiu em olhar para ele que a observava com um meio sorriso divertido, como se já antecipasse aquele momento há algum tempo. Depois adoptou lentamente a mesma postura de sempre, distante, fria e arrogante. Com uma expressão indecifrável; mas ainda atento a Louise parecia que escarnecia dela.

- Vocês já se conhecem? – Perguntou Letizia divertida, fingindo-se algo surpresa.

Louise desviou-se das mãos dela e pestanejou incomodada, olhando de lado para Nate sem saber o que dizer. Ele revirou os olhos e calmamente pousou o livro que anteriormente lia. Tinha a certeza que a mãe tratara daquele assunto, desde o dia anterior que sugeria despautérios sobre o seu futuro e não havia nada que mais o irritasse.

- Tivemos um pequeno percalço esta tarde, não foi Louise? – Perguntou sem intenção de receber resposta da sua parte. O azedume era tanto que a deixou em absoluto silêncio. – Parece que também estamos na mesma turma. – Esclareceu.

- Isso é óptimo. – Disse Letizia felicíssima. – Nate, querido atendendo a que estão na mesma turma, podias ajudá-la com a matéria em atraso. - Sugeriu.

- Não! – Exclamou muito sério. – Nem penses.

- Mas-

- A minha resposta é definitiva. – Retrucou. E podia dizer-se que não se via nele vestígio algum de incerteza. Aquela era a sua vontade.

Louise desviou o olhar confusa. Perguntava-se o que teria ele contra si. Era de alguma forma frustrante e perturbador não perceber de onde surgira tamanha aversão se ainda não se conheciam direito. Do outro lado Garey e Thomas tossicaram e desconversaram com o intuito de aliviar a tensão. Thomas conhecia Nate melhor do que qualquer pessoa. O filho era demasiado reservado e de ideias fixas, não tinha aptidão para ceder e fazer algo que não queria contrariado, a menos que fosse coagido e não voltaria jamais atrás na sua decisão através da insistência.

- Nate! – Exclamou Letizia infantilmente. Vendo Nate ignorar a sua súplica, olhou para Louise e lamentou. – Ele é tão frio e intransigente, desculpa minha querida.

Louise abanou a cabeça.

- Não tem importância. – Disse, encolhendo os ombros. Depois sorriu, relevando o sucedido.

Poderia perder alguns minutos, horas talvez, a pensar no assunto; mas não iria fazê-lo. Uma parte de si sentia-se algo traída e incomodada, na verdade essa parte de si atribuía demasiada importância aquelas atitudes gélidas, a outra dizia-lhe para ignorar. O gelo não poderia durar para sempre ou podia? De alguma forma, esperava que não e que a sua persistência pudesse derretê-lo.

Garey não podia sentir-se mais incomodado com aquela situação. Thomas e Letizia demonstravam-se descontraídos face a estadia de ambos na sua residência; mas Nate educadamente optava por não revelar o que verdadeiramente pensava sobre o assunto, embora isso não o impedisse de ser desagradável quando tentavam impingir-lhe algo que não queria.

- Lou, querida. – Disse Garey, procurando desviar a atenção excessiva que recaíra sobre Nate e a filha. Louise agradeceu com um aceno discreto. – Porque é que demoraste tanto tempo? – Perguntou-lhe ligeiramente preocupado. – Correu tudo bem? Perdeste-te?

Louise gesticulou atrapalhada por entre uma gargalhada nervosa. Nate estava a ignorá-la, aquela altura voltara a pegar no livro e recomeçado a sua leitura. Apesar da sensação incómoda gostava de observá-lo, mesmo sabendo que a ignorava pelo menos não estava a ser cruel e assim, no silêncio dos seus pensamentos sempre lhe parecia inofensivo. Louise estava literalmente a perder o juízo.

- Ahm, não papá. – Respondeu num balbucio nervoso, ao ouvir Garey tossicar. Virou o rosto para ele inexpressivamente. – Levei algum tempo a encontrar o colégio, afinal não tenho um sentido de orientação muito apurado. De qualquer forma, consegui descobrir onde ficava o colégio e acabei por assistir a uma aula. – Explicou. – Matemática?! Ou seria Física? Acho que não prestei muita atenção. – Riu nervosa, coçando a cabeça embaraçada.

- Louise! – Exclamou Garey num tom depreciativo.

- Desculpa. – Murmurou.

Nate sentiu-se tentado a abandonar a leitura só pelo prazer de assistir a tanta estupidez junta, invés revirou os olhos e sorriu jocosamente por detrás do livro de capa dura. Na verdade, não queria crer que estivesse a ouvir algo semelhante. Não saber distinguir uma coisa da outra era no mínimo grave. Por instantes, ficou até aliviado por ter recusado o convite da mãe para a actualizar. Mesmo sendo ele um poço sem fundo à vista de conhecimento, cria que jamais conseguisse actualizá-la a tempo das provas finais do trimestre.

- Era matemática. – Esclareceu secamente sem desviar a atenção do livro que lia.

Louise deixou escapar uma risada nervosa e abanou a cabeça concordando. Era de facto matemática e por isso sentia-se um pouco estúpida. Costumava sê-lo; mas na presença dele parecia que o grau de estupidez aumentava grosseiramente. Quão embaraçoso poderia tornar-se? Estaria prestes a descobrir nos próximos meses de convivência.   

 

Cá está o rascunho tirado do papel que fiz esta semana. Ficou grande como eu previra. Agora quero estruturar a próximo rascunho, ainda não sei bem como hei-de organizá-lo. 

publicado por a.nee às 20:52
link do post | comentar | favorito
2 comentários:
De • Smartie a 7 de Setembro de 2014 às 21:16
A simpatia excessiva do Nate é mesmo desconcertante :') Ahahah xDD
Mais! :D
Beijinhos*


De sacha hart a 8 de Setembro de 2014 às 17:02
Estava ansiosa para ler o momento em que a Louise e o Nate se encontrassem em casa! Gostei muito, tanto pela surpresa e incredulidade da Louise como da postura um tanto rude do Nate. Estou a começar a gostar imenso destes dois!


Comentar post

The Only Exception


Nathan Vanderbilt tinha uma vida normal - até ao dia em que conheceu o seu pior pesadelo: Louise McKenzie. Sério, frio, calculista, prepotente e irrepreensivelmente inteligente e popular no colégio; enquanto Louise não passa de uma rapariga normal com notas medíocres; sonhadora, sensível, intensa e verdadeira espera reunir as condições necessárias para se aproximar do coração enregelado do filho mais velho dos Vanderbilt a quem nunca nenhuma namorada se lhe conheceu. Numa luta interior constante, Nathan irá perceber que não tem como fugir á realidade, à novidade e aquilo que sente pela filha do melhor amigo do pai.

SOBRE A HISTÓRIA.


Profile

Ana. 29 anos. Licenciada em Engenharia Informática. Seguros. Música. Ler. Escrever. 30 Seconds To Mars. Aaron Yan. Muse. Linkin Park. Green Day. Three Days Grace. Snow Patrol. Kings Of Leon. Paramore. Game Of Thrones. Switched At Birth. Suits. Once Upon a Time. Teen Wolf. Heart Of Dixie. Covert Affairs. Arrow. The Flash. Bones. Hawaii Five-O. Nashville. The Fosters. KDrama.


Linkage

The Only Exception Palavras Soltas Filmes Séries KDrama


Credits

Layout Lettha
Icon TFN
Colors Colorpicker
ADAPTAÇÃO POR: anaap.



SEGUIR PERFIL