Deep below,
Each word gets lost in the echo
Domingo, 14 de Setembro de 2014

The Only Exception | 11

Louise inclinou-se para agarrar os sacos que deixara cair pouco antes para os arrumar no quarto quando Letizia lhe sacudiu as mãos com duas sapatadas carinhosas, detendo-a imediatamente. A rapariga franziu o cenho e mirou Letizia confusa. O que mais precisava naquele momento era uns breves instantes a sós. Garey parecia demasiado embaraçado para sair em sua defesa e como tal o apoplético discurso sobre as suas aptidões escolares ficou para depois, quando tivessem um momento a sós. O discurso era o mesmo, se não fosse tão destrambelhada provavelmente já o teria decorado; mas como o interesse não era de valor, acabava por nem prestar atenção.

Então, viu Letizia dirigir-se a Nate num passo dançante, como se tivesse algo em mente. O rapaz fingiu não prestar atenção inicialmente; mas Letizia tinha os seus próprios métodos para chamar a atenção para si. Com um suspiro enfadado, Nate fechou o livro e fitou-a muito sério. Ainda não passara nem um dia e já se sentia cansado daquela sua nova rotina. Não era preciso ser-se muito inteligente para ver como era de todo o interesse dos pais que Garey e Louise ficassem por ali algum tempo. Se duvidasse, Letizia teria até planeado e encomendado um futuro que ele preferia enfrentar dali a alguns anos para ontem. A sua súbita adoração por Louise era doentia. Mal se conheciam; mas ela agia como se a tivesse visto nascer e crescer.

Nate tinha perfeita consciência de que não era igual a nenhum outro jovem da sua idade. Não saía à noite, não tinha vícios e o maior desafio que enfrentara até ali provavelmente fora tentar sair da sua zona de conforto há uns anos atrás. Não correra muito bem e por esse motivo não gostava de lembrar-se desse período que para si era vergonhoso. A sua rotina habitual, por si só era aborrecida e solitária e até então não achava ter problemas com ela. Contudo, uma pequena parte de si sentia que daquele dia em diante tudo mudaria e até então ainda não conseguira decidir se isso representava para si algo positivo ou algo de muito negativo para a sua vida.

- Nate, – Disse Letizia num tom sugestivo. O rapaz arqueou uma sobrancelha desconfiado. – Ajuda a Louise a levar os sacos para o quarto sim?

Louise gracejou nervosa e esbracejou atrapalhada. Obviamente, não precisava de ajuda para transportar os sacos até ao quarto e Nate sabia disso, porém, o simples facto de ele subir consigo e ficarem a sós deixou-a verdadeiramente encabulada. Letizia estava a empurrá-los numa só direcção e tinha receio de se deixar levar levianamente e acabar de coração partido. Aborrecido, Nate levantou-se e aproximou-se de Louise lentamente para pegar nos sacos. Ao aproximar-se da porta viu que ela não o seguia. Parou e olhou por cima do ombro.

- Não vens? – Perguntou secamente.

Ele jamais se atreveria a entrar no quarto que lhe fora destinado sem a sua autorização. Por isso esperou por ela. Louise abanou a cabeça e gesticulou freneticamente.

- Vou sim. – Riu.

Numa marcha irrisória e meio deambulante como se fosse um soldado; mas um soldado muito destrambelhado, avançou atrás dele – cria ela ser isso que estava a fazer – sem perceber que Nate ainda não saíra do lugar onde havia parado. Por isso, quando viu já era tarde para se desviar e inevitavelmente acabou colada nas costas dele, que a olhou por cima do ombro impaciente.

- Desculpa. – Murmurou embaraçada.

Depois estendeu os braços como se estivesse a dar-lhe permissão para prosseguir a marcha e riu nervosa. Estava capaz de cavar o próprio buraco e esconder-se dele por tempo indefinido. Nate abanou a cabeça e com um suspiro derrotado seguiu até ao segundo andar com Louise no seu encalço. O silêncio delatava o nervosismo dela; mas Nate preferia não se intrometer. Até onde sabia ela era como todas as outras gaiatas do colégio; mas com um nível intelectual duvidoso e uma capacidade física e motora bastante desleixada e caricata. Não deixava, porém, de ser bonita. E ele conseguia descobrir nela algumas nuances interessantes, no entanto, cria não ser suficiente para o deixar louco.

Parou em frente ao dormitório dela, tentado a entrar primeiro. Afinal estava em sua casa. No entanto, seria rude e falta de respeito se o fizesse sem a permissão dela. Agora o quarto pertencia a Louise. Desviou-se sem perder a atitude altiva e esperou que ela tomasse iniciativa e lhe desse permissão para entrar, porém, mais uma vez ela parecia-lhe uma autêntica idiota. Estava distraída, estranhamente ausente e a pensar despautérios em voz alta que não pareciam fazer sentido algum. Nem com toda aquela inteligência natural da qual era dotado conseguia perceber o que se passava naquela sua cabeça oca.

- Ele vai entrar comigo e depois-

- Hey! – Gritou-lhe severamente. Sentia-se verdadeiramente embaraçado ao tirar algum sentido dos despautérios que ela pensava em voz alta. E confuso. – Que estás para aí a dizer? Despacha-te a entrar, tenho um livro para ler.

Louise tirou os olhos dos pés por instantes e olhou para Nate um pouco incomodada. Viajara nas suas fantasias e esquecera-se que ele estava ali. Que vergonha! Pensou. Desviou o olhar por instantes, tentando não tornar-se demasiado óbvia quando ele avançou para a porta e a abriu. Voltou a mirá-lo e sorriu. Ah! Ele é tão giro. E sério. Suspirou. No final deixou escapar uma risada entusiasmada e entrou no quarto aos tropeções. De alguma forma, aquela sua pose inatingível e fria não era suficiente para a assustar. Ele entrou atrás de si em silêncio e pousou os sacos em cima da cama dela. Depois encostou-se na ombreira da porta de braços cruzados e olhou para a janela distraído.

- Obrigado. – Disse ela, inclinando a cabeça discretamente. – Foste muito prestativo.

Nate abanou a cabeça e revirou os olhos. Com um meio sorriso divertido, baixou o rosto para os pés por instantes e desencostou-se da ombreira da porta para sair. Ela tinha um Inglês terrível.

- Prestável. – Murmurou antes de se atrever a sair.

Louise tartamudeou algo verdadeiramente impossível de se traduzir e no final suspirou derrotada. O que é que ele estava a fazer? Perguntava-se. Mas era óbvio e por não se considerar estúpida sabia que estava a fazer mais do que corrigi-la. Estava a gozá-la. Idiota.

- Hum? – Tartamudeou baixinho coçando a cabeça.

- Disseste prestativo. – Esclareceu com uma risada jocosa. – É prestável. Idiota.

- Hum! – Louise quase desfaleceu de vergonha. Riu um pouco nervosa e esbracejou atrapalhada, desculpando-se no final. - Mas a palavra existe.

- No teu dicionário, talvez. – Respondeu-lhe taciturnamente. – O correcto será prestável.

Louise abanou a cabeça convencida, não iria protestar afinal o génio era ele. Depois, não precisava ter um alto QI para perceber que argumentar com ele não a levaria a lado nenhum. Apenas a mais uma humilhação. Então, viu-o avançar para a porta e a deter-se no último instante antes de realmente se ausentar.

- O que foi? – Perguntou Louise ao vê-lo olhar para si por cima do ombro algo sério e mal- intencionado.

- Não te atrevas a espalhar pelo colégio que moramos na mesma casa. – Disse asperamente, fazendo-a engolir em seco. Ela não estava a seguir o seu raciocínio.

- Mas-

- A minha vida está óptima do jeito que se encontra, a última coisa que preciso é que rumores idiotas se propaguem pelo colégio inteiro. – Explicou, interrompendo-a propositadamente. – Estamos esclarecidos?

Louise sentiu que algo no seu pequeno mundo acabara de sofrer um atentado violento. Não conseguia encontrar motivos coerentes para explicar o porquê daquele gelo e indiferença. Tinha para consigo que um dia descobriria o verdadeiro significado daquelas atitudes. Ignorando o seu tom rude, apenas concordou automaticamente sem questionar.

- Sim! – Exclamou baixinho. – Tentarei não baguncear a tua vida.

- Óptimo. – Respondeu antes de sair definitivamente.

Ela seguiu atrás dele e espreitou agarrada á ombreira da porta. Viu-o entrar no quarto ao lado e sorriu. Não conseguia levar demasiado a peito aquele seu jeito de ser. Definitivamente estava cega de amores por aquela criatura fria e sem amor-próprio ou então era mesmo masoquista. De qualquer forma, a primeira opção era mais agradável, mesmo que isso determinasse o seu grau elevado de estupidez.

 

Este custou a sair; mas foi por preguiça e por falta de tempo. Esta semana foi qualquer coisa. A empresa mudou outra vez de instalações. Bom, eu saí da suburbia para o centro da cidade e foi giro por uns tempos; mas já tinha saudades da suburbia. Anyway, tentarei ser breve com o próximo.

publicado por a.nee às 20:05
link do post | comentar | favorito
2 comentários:
De • Smartie a 15 de Setembro de 2014 às 01:03
O Nate tem razão, a Louise é mesmo (demasiado) tola xDD
Mais! :)
Beijinhos*


De sacha hart a 18 de Setembro de 2014 às 16:54
Adoro a ingenuidade da Louise. Podia ser um clichê, mas não, torna-a mais credivel e só lamento que ela leve este tratamento do Nate! Fico a torcer para que a sorte mude para o lado dela. 
Gostei muito, como sempre.


Comentar post

The Only Exception


Nathan Vanderbilt tinha uma vida normal - até ao dia em que conheceu o seu pior pesadelo: Louise McKenzie. Sério, frio, calculista, prepotente e irrepreensivelmente inteligente e popular no colégio; enquanto Louise não passa de uma rapariga normal com notas medíocres; sonhadora, sensível, intensa e verdadeira espera reunir as condições necessárias para se aproximar do coração enregelado do filho mais velho dos Vanderbilt a quem nunca nenhuma namorada se lhe conheceu. Numa luta interior constante, Nathan irá perceber que não tem como fugir á realidade, à novidade e aquilo que sente pela filha do melhor amigo do pai.

SOBRE A HISTÓRIA.


Profile

Ana. 29 anos. Licenciada em Engenharia Informática. Seguros. Música. Ler. Escrever. 30 Seconds To Mars. Aaron Yan. Muse. Linkin Park. Green Day. Three Days Grace. Snow Patrol. Kings Of Leon. Paramore. Game Of Thrones. Switched At Birth. Suits. Once Upon a Time. Teen Wolf. Heart Of Dixie. Covert Affairs. Arrow. The Flash. Bones. Hawaii Five-O. Nashville. The Fosters. KDrama.


Linkage

The Only Exception Palavras Soltas Filmes Séries KDrama


Credits

Layout Lettha
Icon TFN
Colors Colorpicker
ADAPTAÇÃO POR: anaap.



SEGUIR PERFIL