Deep below,
Each word gets lost in the echo
Domingo, 16 de Novembro de 2014

The Only Exception | 15

A primeira semana de aulas revelou-se um verdadeiro fiasco. Inicialmente Louise estava determinada a esforçar-se de forma a conseguir acompanhar o programa e o nível de conhecimento dos colegas; mas chegara à conclusão de que era inútil. Perdera muitas matérias, devido à sua desatenção e comportamento rebelde; mas sobretudo devido ao desinteresse que tinha pelos estudos no passado. No entanto, considerava que agora tinha um objectivo e por conseguinte, mais do que um objectivo, sabia que tinha um desafio em mãos: mostrar a Nathan que não era nenhuma ignorante; mas por estar tão atrasada nas matérias os seus esforços eram vãos. Claro estava plenamente consciente de que nunca atingiria o QI elevado do rapaz mais requisitado, mais bonito e mais inteligente do colégio; mas pela primeira vez sentiu que seria capaz de fazer-lhe frente, de que era possível não igualá-lo, mas pelo menos equilibrar o plano que os separava. Quão estúpida se sentia agora por momentos ter acreditado naquela estulta teoria. Na verdade, sentia-se quase doente de embaraço.

Mais uma segunda-feira e a sua motivação tinha-se simplesmente rebelado. Não existia mais, essa era a verdade e sentia que teria de colocar o orgulho de lado e pedir ajuda a um tutor no primeiro intervalo, de outra forma iria perder o ano. Louise bateu a porta do quarto e arrastou-se até á cozinha para tomar o pequeno-almoço com a família Vanderbilt. Sentou-se no lugar do costume e estendeu a mão para tirar uma torrada. Deu duas trincas e bebericou um pouco de leite sem vontade. A frustração era o seu pior inimigo, sentia-se cansada de tentar. Uma verdadeira inútil sem objectivos que a motivassem aquela altura.

- Estou de saída. – Disse baixinho, levantando-se da mesa.

- Hum! – Garey amarrou-lhe um braço. – Mal tocaste no pequeno-almoço.

- Estou sem fome. – Respondeu cabisbaixa, fitando os pés com desinteresse. Não queria ter de explicar o que a apoquentava diante de todos, sobretudo de Nathan. – Até logo.

Soltou o braço e sob o olhar atento de Garey e Nathan que se fingia desinteressado saiu. O rapaz trincou mais uma torrada antes de ser incentivado e convidado propositadamente a sair para a escola antes do tempo por Letizia. Revirou os olhos aborrecido e abandonou a mesa de seguida para não levantar eventuais atritos pela manhã. Letizia gostava de Louise, já tinha percebido isso; mas não suportava o facto de ver a sua própria mãe impingir-lhe alguém por conveniência. A ideia era horrorosa, jamais aceitaria algo forçado. Por isso, antes que a sua própria resistência em seguir Louise suscitasse conversas impróprias e aborrecidas levantou-se e saiu sem questionar, levando na mochila um saco com uma sandes e uma maçã que Letizia atenciosamente preparara para ele entregar pessoalmente a Louise.

- Não te esqueças de lho entregar. Ela não comeu nada, não quero que passe mal.

Nathan abanou a cabeça e suspirou derrotado. Letizia levava sempre a melhor sobre si com aquelas suas estratégias de um nível muito avançado e subtis. E depois na condição de mãe, era difícil de lhe negar o que quer que fosse. No entanto, conquanto fossem coisas inofensivas não ousaria levantar atritos.

- Até logo. – Disse ao sair.

Louise levava um avanço de si de pelo menos cinco minutos; mas naquele dia ela não parecia ser ela própria. Até o seu passo era vagaroso e monótono, não sentiria dificuldades em alcançá-la. A energia assustadora que a caracterizava e que o sugava fazia quase duas semanas, naquela manhã estava ausente. Parecia-lhe triste e mais distraída do que o normal. E por motivos que lhe eram desconhecidos, sentiu-se incomodado. Aproximou-se em silêncio e acompanhou-a de perto até ao colégio.

Chegara em cima da hora porque instintivamente a seguiu no seu passo lento e arrastado. Uma parte de si quis deixá-la só; mas não conseguiu. A mãe era capaz de o desancar se lhe acontecesse alguma coisa, por isso não a deixou até entrarem no colégio.

Louise subiu os degraus e quando ergueu a cabeça, tinha Claire, Blake e Zac à sua espera. Todos com um ar seriamente perturbado. Parou em frente a eles e viu-os espreitar por cima dos seus ombros de olhos esbugalhados. Suspirou aborrecida e olhou para trás sem vontade. Quando viu Nathan pinchou e calou um grito com as duas mãos assustada. Engoliu em seco e recuou dois passos de encontro ao corpo de Zac.

- O que é que ele está a fazer contigo? – Segredou-lhe o amigo num timbre assustadoramente interessado.

Louise fez um trejeito aflito e mordeu o lábio inferior. Nem ela sabia o que se estava a passar. As suas preocupações eram demasiado desconcertantes, seguira o caminho todo de olhos pregados nos próprios pés e só agora ousara levantar o rosto. Se calhar devia tê-lo feito antes. Olhou por cima do ombro e os seus olhos colaram-se ao rosto curioso de Zac que ainda esperava uma resposta que ela de momento não tinha para lhe dar.

- É suposto saber a resposta a essa pergunta? – Disse retoricamente, rindo nervosa. Empurrou Zac com uma mão e gargalhou atrapalhada, perguntando-se porque é que Nathan a colocava naquela posição embaraçosa quando deixou claro que não queria ser visto consigo. – Eu não reparei que ele vinha atrás de mim além de que o meu mundo não gira à volta dele.

Blake e Claire sorriram descontraidamente. Não havia uma pontinha de verdade naquela afirmação, e elas sabiam. Ainda que se tivessem passado apenas duas semanas Louise era uma pessoa de fácil leitura e compreensão. Por ser pura e sincera, as suas verdadeiras emoções fluíam-lhe naturalmente fosse pela boca fora, fosse em atitudes. Embora, agora analisando bem de perto a situação, parecia-lhes que relativamente a Nathan e sobretudo na sua presença ela tinha alguma dificuldade em demonstrar o que realmente sentia.

Contudo, Nathan pensava de forma um pouco controversa. Apanhado de surpresa por aquela afirmação, e sem saber porque o incomodava retesou-se muito sério. Duas semanas. Duas semanas foram o suficiente para aquela destrambelhada e carga de trabalhos mudar qualquer coisa não só na sua rotina como também dentro de si. Não sabia o que era e honestamente não se sentia preparado para descobrir o que se passava no seu interior.

Estava habituado às confissões de amor das raparigas do colégio e rejeitava sem remorsos cada uma dessas raparigas e talvez a diferença residisse aí. Louise invadira a sua vida monótona como uma verdadeiro furacão que o enervava profundamente, as faíscas eram evidentes e a necessidade de a ter presente no seu dia-a-dia começava a notar-se, porém ela não havia confessado gostar dele como todas as outras. Abanou a cabeça confuso e altivo subiu os degraus para entrar. Estava atrasado e não tinha vontade de discutir assuntos banais como aquele.

Louise suspirou ao vê-lo desaparecer pelas portas largas e pesadas de madeira da entrada do colégio. Quando se virou, tinha os amigos ainda à espera de uma explicação plausível para o que haviam presenciado momentos antes. Ignorando-os seguiu num passo apressado até à sala de aula com eles sempre no seu encalço. Ouvia-os murmurar atrás de si, numa tentativa até ao momento frustrada de a fazer confessar o que quer que todos eles tivessem em mente; mas Louise não podia. Não havia nada para confessar. Afinal, não passava tudo de um grande mal-entendido. Na sua cabeça fora obra de um acaso, pois por norma caminhavam ambos a uma distância considerável para não levantar questões daquele tipo.

Sentou-se em silêncio na carteira ao lado de Nathan que parou a leitura do seu livro por instantes enquanto se instalava no seu lugar. Com um suspiro aborrecido tirou os livros de física e o estojo, ignorando a atenção que ele curiosamente lhe dava naquele dia. Uma atenção rara que poderia suscitar algumas dúvidas que ela não se atrevia a cogitar sequer. O professor de química entrou e ela arregalou os olhos e colou uma mão na testa. Ó não. Pensou com um trejeito embaraçado. Não acreditava que a sua frustração e desmotivação tivessem tomado uma proporção tão grande. Trocara os livros e nem dera conta do engano. Com um sopro aborrecido deitou o tronco parcialmente sobre a carteira e protestou para consigo por entre dentes.

- Louise poderia ler-nos a proposta de exercício da página 70 por favor?

A rapariga ergueu-se prontamente a morder o lábio inferior. O seu rosto assumiu uma expressão gravemente preocupada. Como poderia ler o que quer que fosse se não tinha o livro? É definitivamente não podia fazê-lo. Nesse instante, surgiu vindo do seu lado direito o livro de precisava. Levantou os olhos e retesou-se sem compreender porque é que tinha de ser ele o autor de tal gesto simpático. Nathan abanou o livro e insistiu para que pegasse nele.

- Tens a certeza? – Murmurou.

- Só os trago por ser uma mera formalidade do colégio, não costumo usá-los com frequência. De qualquer forma no final, gostaria de o ter de volta.

Louise sorriu nervosa e abanou a cabeça, prometendo entregar-lho depois. Os amigos dela, cada um do seu devido lugar atentaram para aquela situação esquisita um pouco confusos. Nathan não costumava ser tão prestável. Com ninguém, diga-se de passagem. Entreolharam por instantes e depois voltaram a prestar atenção ao professor. Posteriormente fariam questão de tirar a limpo todas as dúvidas existenciais a respeito de Louise e Nathan. Algo não estava certo. Algo definitivamente lhes parecia muito errado com ambos.

- Louise onde está o seu manual?

Louise gargalhou nervosa e coçou a cabeça.

- Hum… Em casa presumo. – Respondeu baixinho.

- A fazer o quê? A ganhar pó? – Perguntou-lhe de forma algo empertigada, deixando Louise sem graça.

- Não, a divertir-se mais do que eu, creio! – Disse muito séria.

Nathan calou uma gargalhada que provavelmente quase o faria rebolar no chão; mas educadamente evitou transformar o momento embaraçoso de Louise em algo ainda mais constrangedor. De qualquer forma, os colegas ao redor não eram tão educados e polidos e com isso a turma rebentou numa gargalhada uníssona, que a deixou em silêncio e de olhos colados na carteira. Parte de si sabia que não deveria ter respondido, não estava a tentar ser engraçada; mas por natureza dizia o que pensava e às vezes mal. O professor revirou os olhos.

- Vou fingir que não ouvi o que disse, não vale a pena penalizar um aluno que com toda a certeza terei na turma do ano que vem, certo Senhorita McKenzie?

Louise contorceu-se sem reacção. O professor estava certo, ela reunia todas as condições para ali estar no ano seguinte. Abriu o livro na página 70 e leu a proposta de exercício, que no final acabou por ser resolvida pela mesma pessoa de sempre: Nathan. No final da aula, arrastou-se para a saída, deixando o livro na secretária de Nathan que a olhou um pouco perturbado.

 

Dui bu qi (Sorry)! Ando desde o final de Outubro em mudanças e isso implica desarrumação, limpezas e arrumações e etc... acreditem ainda não terminou. Infelizmente isso tirou-me tempo para escrever e para vir aos blogs. Hoje arranjei uns minutos para terminar o capítulo e começar o próximo. Desculpem a demora, não foi propositado.

publicado por a.nee às 18:30
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2 comentários:
De • Smartie a 16 de Novembro de 2014 às 20:00
Coitada, a Louise está realmente desmotivada :\ Também não é para menos, realmente...mas gostei de ver o Nathan a ser prestável para ela :3
Que venha mais :)
Beijinhos*


De sacha hart a 16 de Novembro de 2014 às 22:05
Fico sempre empolgada quando vejo que há um novo capitulo nas minhas Leituras! E ainda por cima um capitulo grandinho. Foi tão bom de ler. 
Estou a gostar imenso da história e a minha curiosidade sobre o que irá acontecer entre a Louise e o Nathan aumenta gradualmente. Este capitulo deixou-me contente pelo efeito que ela tem nele! Há ali faíscas.
Fico ansiosa por ler o próximo!


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The Only Exception


Nathan Vanderbilt tinha uma vida normal - até ao dia em que conheceu o seu pior pesadelo: Louise McKenzie. Sério, frio, calculista, prepotente e irrepreensivelmente inteligente e popular no colégio; enquanto Louise não passa de uma rapariga normal com notas medíocres; sonhadora, sensível, intensa e verdadeira espera reunir as condições necessárias para se aproximar do coração enregelado do filho mais velho dos Vanderbilt a quem nunca nenhuma namorada se lhe conheceu. Numa luta interior constante, Nathan irá perceber que não tem como fugir á realidade, à novidade e aquilo que sente pela filha do melhor amigo do pai.

SOBRE A HISTÓRIA.


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Ana. 29 anos. Licenciada em Engenharia Informática. Seguros. Música. Ler. Escrever. 30 Seconds To Mars. Aaron Yan. Muse. Linkin Park. Green Day. Three Days Grace. Snow Patrol. Kings Of Leon. Paramore. Game Of Thrones. Switched At Birth. Suits. Once Upon a Time. Teen Wolf. Heart Of Dixie. Covert Affairs. Arrow. The Flash. Bones. Hawaii Five-O. Nashville. The Fosters. KDrama.


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