Deep below,
Each word gets lost in the echo
Domingo, 23 de Novembro de 2014

The Only Exception | 16

Nathan baixou o olhar para a carteira e parou por instantes. Louise parecia-lhe estranhamente depressiva e em baixo, chegava mesmo a perguntar-se onde estaria aquela rapariga efusiva e alegre que revirara a sua vida do avesso desde que nela entrara. Quando guardou o livro na mala, viu a sacola com o pequeno-almoço que Letizia preparara para ela. Levantou-se para seguir atrás dela; mas o professor deteve-o no último instante.

- Dê-me dois minutos, preciso falar-lhe.

- Sim professor.

O rapaz aproximou-se com uma mão no bolso das calças e a outra ocupada com um livro e esperou em frente à secretária do docente enquanto ele terminava um último apontamento nos seus papéis assoberbados de textos e ideias soltas. Com um suspiro cansado o docente tirou os óculos de leitura e pousando-os na secretária delicadamente olhou finalmente para Nathan.

- Recebi um email ontem à noite do seu director de turma. Ele vai ausentar-se por dois dias; mas pediu-me excepcionalmente para lhe transmitir um recado.

- Muito bem e que recado é esse? – Perguntou muito sério, endireitando o tronco.

O docente tossicou e entregou-lhe um cópia parcial do email que recebera.

- Ele solicita a sua compreensão e colaboração nesse assunto. Atendendo a que se trata de uma transferência e que a aluna em questão está relativamente alheia a grande parte do programa obrigatório, consideramos que o Nathan é a pessoa certa para este desafio. – Explicou pausadamente, enquanto arrumava os seus pertences na mala. – Desafio impossível diga-se de passagem. – Acrescentou por entre dentes, fazendo Nathan olhá-lo pelo canto dos olhos muito sério. – Creio que seja uma perda de tempo, do seu e do meu. De qualquer um que tente fazer acontecer o impossível.

Nathan manteve o silêncio absoluto por instantes, olhando intensamente para o papel. Obviamente não estava inclinado a aceitar o que lhe pediam. Em todo o caso e mesmo não sendo mentira o que o docente dizia não fazia questão de compactuar com tamanha crueldade. O director de turma escolhera-o por um motivo e embora contrariado, sabendo a confiança que ele depositava em si para pelo menos tentar fazer acontecer o impossível, devia-lhe no mínimo tentar. Dobrou o papel e guardando-o no meio do livro que trazia na mão, olhou para o professor.

- Farei o que estiver ao meu alcance; mas não me comprometo a ser bem-sucedido. Não depende inteiramente de mim. – Atalhou altivo, assumindo uma postura séria e algo arrogante. – Até amanhã.

Saiu sem pressa, caminhando pelos corredores distraidamente. Bom, distraído mas não tão distraído quanto se podia pensar. Propositadamente procurava por Louise, aquele assunto não devia esperar. Encontrou-a com o grupo de amigos e também seus colegas de turma. Parou a uma distância considerável e ergueu a voz num tom grave e assertivo.

- McKenzie! – Exclamou.

A rapariga pinchou ao ouvi-lo. Não sabia como acontecera; mas o timbre dele parecia-lhe gravado na memória.

- Vanderbilt!? – Claire murmurou para Blake absorta. Entreolharam-se de olhos arregalados e boca aberta, ambas com uma expressão interrogativa. Zac gaguejou por instantes; mas acabou por remeter-se ao silêncio logo depois. Olharam, então, para Louise que adoptara agora uma postura hirta e quase em sentido sem se atrever a olhar para trás. – O que é que ele quer de ti? – Perguntou-lhe Claire.

- Eu lá sei. – Resmungou, virando-se lentamente para o rapaz com um sorriso nervoso nos lábios. – Sim. – Murmurou.

- Vem comigo. – Disse somente, abandonando o local de imediato.

Louise quase gritou de frustração. Impertinente. Pensou. Cerrou os punhos e bufou irritada. Quem ele pensava que era? Não poderia por acaso pedir-lhe de forma simpática que o acompanhasse? Será que tinha de parecer sempre altivo e mandão? Despediu-se dos colegas e seguiu num passo destrambelhado e meio a correr atrás dele até à sala de aula. Parou junto ao quadro, vendo Nathan seguir num passo firme até à sua carteira e a regressar logo depois com uma sacola nas mãos.

- É para ti. – Disse muito sério. Sentia-se desconfortável naquela posição; mas o seu corpo, os seus gestos e atitude não o revelam em momento algum. Louise semicerrou os olhos com desconfiança. – Saíste de estômago praticamente vazio, a minha mãe não queria que passasses mal durante o dia.

- Ó! – Exclamou sem graça. O gesto era a cara de Letizia. – Obrigado.

Louise aceitou a sacola que ele lhe entregava e foi guardá-la na sua carteira, sob o olhar atento de Nathan.

- Amanhã de manhã, no central Parque às 7 horas da manhã. Estarei à tua espera.

- O quê? – Guinchou absorta, em absoluto histerismo. – Tu… tu… isso é muito cedo. – Quase gritou. Quereria ele dar consigo em louca ou era só impressão sua? – Para quê? – Perguntou intrigada, cruzando os braços sobre o peito com um trejeito infantil.

Nathan bufou, ela tinha literalmente viajado na sua imaginação fértil. De maneira alguma precisava ser alimentada.

- E hoje depois do jantar. – Acrescentou impacientemente.

- Tu… tu… eu e tu? Como num encontro? – Tartamudeou nervosa, apontando dele para si própria. – Aw!

O rapaz revirou os olhos. Como foi que ela conseguira traduzir tudo aquilo para aquela conclusão tão disparatada? Ele teria de estar febril e a delirar para considerar tamanho disparate.

- Não, imbecil. – Respondeu taciturnamente. – Por favor, pára de sonhar acordada e falar disparates que só existem na tua cabeça.

- És sempre uma simpatia. – Murmurou por entre dentes. Nathan sentiu-se tentado a rir; mas engoliu a vontade e preparou-se para deixar a sala de aula quando ela o intercedeu. – É suposto eu acatar ordens vindas de ti? – Perguntou muito séria. – Não esperes acordado por mim, nem acordes demasiado cedo porque também não tenciono aparecer no Central Parque pela manhã.

- És sempre assim? – Perguntou Nathan curioso.

- Assim como? – Retrucou impacientemente.

- Teimosa e impetuosa.

Louise suspirou. Por norma, teimosa não o era com frequência. Impetuosa… era-o as vinte e quatro horas do dia.

- Impetuosa talvez, teimosa… nem por isso. – Respondeu aborrecida, mirando-o furtivamente. – Não gostei do teu tom e tão pouco me sinto na obrigatoriedade de te seguir apenas porque entendeste que assim seria.

- Hum? – Tartamudeou em descrédito por entre uma gargalhada rouca e confortável. Aquela conversação tinha de alguma forma um requinte de estupidez, cuja sua inteligência era incapaz de alcançar. – Não precisas de ajuda é isso?

- Da tua? – Perguntou irritada. Detestava a sua prepotência tanto quanto gostava da sua atenção e cuidado, chegava a ser até entorpecedor. – Não! – Exclamou num grito sufocado. – Não solicitei ajuda alguma.

Nathan trocou o peso do corpo de um pé para o outro e semicerrou os olhos de alguma forma agradado com a intrepidez da rapariga. Estaria ela a desafiar os limites da sua paciência? Seria esse o motivo que não o deixava esquecer da sua existência? De qualquer forma, jamais daria o braço a torcer. A sua teoria era de todo um disparate sem qualquer base que a fundamentasse.

- Eu também não pedi para ser destacado para a função. – Deixou escapar num tom rude intencional.

- Ainda bem que estamos de acordo então.

Louise passou por Nathan apressadamente, empurrando-o com um choque de ombros propositado; mas deteve-se de imediato ao ver o professor da aula seguinte aproximar-se. Rodou sobre os pés e fez o caminho de volta até á sua carteira, ignorando Nathan. O rapaz sentou-se logo após o professor ter entrado sem desviar por instantes a atenção de Louise, que fazia questão de evitar a troca de olhares.

A aula decorreu dentro da normalidade. Louise mantivera o silêncio, enquanto rabiscava o caderno verdadeiramente absorvida pelos seus pensamentos. Estivera desatenta o tempo todo, não por descuido ou porque assim o entendia. A sua cabeça estava longe e demasiado ocupada. Prestar atenção não fazia dela mais capacitada do que já era porque perdera muita matéria. De qualquer forma, Nathan aborrecia-a mais aquela altura do que qualquer outro assunto relacionado à sua frustração escolar. Sentia os olhos dele pregados em si de vez em quando, como se não tivesse actividade mais interessante para desfrutar do tempo livre do qual dispunha por ser o génio da turma, talvez até de todo o colégio.

Ao início da tarde, depois de terminada a última aula daquele dia rumou a casa numa correria desenfreada. Não pretendia cruzar-se com Nathan mais do que o necessário. Fechou-se no quarto até à hora do jantar a reler manuais dos anos anteriores que Letizia deixara sobre a sua secretária com uma nota encorajadora. O Nathan não precisa deles tanto quanto tu precisas querida. Faz bom uso deles. Força! Depois de começar a lê-los com uma atenção especial chegou à conclusão de que não percebia muitas coisas e isso lembrava-a de que era motivo o suficiente para não perceber do que falavam os professores agora.

Uma batida na porta deixou-a em alerta. Ainda não tinha jantado, por isso, não podia ser Nathan a cobrar-lhe o que previamente combinara contra a sua própria vontade. Fechou o manual que detinha em mãos e suspirou. Letizia espreitou antes de entrar e sorriu ao vê-la com um dos livros sobre as pernas.

- Entusiasmada?

- Nem por isso. – Respondeu com suspiro aborrecido, atirando o livro para um canto da cama. Flectiu as pernas e abraçou a almofada com força. – Acho que a alternativa é arranjar um trabalho.

Letizia aproximou-se. Abanava a cabeça descontente; mas sobretudo em desacordo. Aquela opção jamais se colocaria em cima da mesa, não quando Louise tinha outras alternativas.

- E farias o quê querida? Limpar escadas ou sanitários públicos? – Perguntou-lhe indignada, sentando-se na ponta do seu colchão. Acarinhou-lhe uma mão e olhou-a muito séria. – São trabalhos dignos como quaisquer outros; mas eu sei que algures aí dentro existe uma rapariga inteligente. Só precisas da motivação certa.

Louise não sabia se só isso seria suficiente, de qualquer forma, não haviam forças em si para argumentar em retorno e corroborar as convicções de Letizia. Depois de alguns minutos de palestra motivacional desceram para jantar.

 

 

Consegui terminá-lo ontem, diga-se de passagem que cheguei a pensar que não terminaria a tempo de vir aqui publicá-lo. Eu prevejo uma história grande, do meu ponto de vista ainda não cheguei nem a meio e já contabilizei até ao momento 16 capítulos.

O mês passado, foi uma mês de novidades - BOUAS - lá no trabalho. A minha realização profissional cresceu uns pozinhos na escala de 0 a 100%. Esta semana comecei a receber formação numa nova função e por esse motivo também me sinto mais cansada a nivel intelectual, no entanto, não posso deixar de dizer que me sinto entusiasmada e motivada com este novo desafio.

Anyway, esforcei-me e dediquei-me durante a semana para vos poder entregar um novo capítulo, so make it count. Como vêm não me esqueci. Enjoy it. Xiéxíe ni Vanessa e Sacha.

 

publicado por a.nee às 13:01
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2 comentários:
De • Smartie a 23 de Novembro de 2014 às 23:50
Ohh, espero mesmo que ela deixe de ser teimosa e que o Nathan a consiga ajudar :3 De certeza que, com esforço, ela vai conseguir superar as dificuldades que está a ter :)
Gostei muito do capítulo, fico ansiosamente à espera do próximo ^^
Beijinhos*


De sacha hart a 1 de Dezembro de 2014 às 17:48
Há uma semana que estava para ler este capítulo e só agora é que consegui. Todo o tempo que seja à espera de um novo capítulo da tua história é tortura! Só para veres o quanto eu gosto disto. 
Este capítulo fez-me rir não sei quantas vezes. Adorei a reacção da Louise, ainda bem que fez frente ao Nathan!


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The Only Exception


Nathan Vanderbilt tinha uma vida normal - até ao dia em que conheceu o seu pior pesadelo: Louise McKenzie. Sério, frio, calculista, prepotente e irrepreensivelmente inteligente e popular no colégio; enquanto Louise não passa de uma rapariga normal com notas medíocres; sonhadora, sensível, intensa e verdadeira espera reunir as condições necessárias para se aproximar do coração enregelado do filho mais velho dos Vanderbilt a quem nunca nenhuma namorada se lhe conheceu. Numa luta interior constante, Nathan irá perceber que não tem como fugir á realidade, à novidade e aquilo que sente pela filha do melhor amigo do pai.

SOBRE A HISTÓRIA.


Profile

Ana. 29 anos. Licenciada em Engenharia Informática. Seguros. Música. Ler. Escrever. 30 Seconds To Mars. Aaron Yan. Muse. Linkin Park. Green Day. Three Days Grace. Snow Patrol. Kings Of Leon. Paramore. Game Of Thrones. Switched At Birth. Suits. Once Upon a Time. Teen Wolf. Heart Of Dixie. Covert Affairs. Arrow. The Flash. Bones. Hawaii Five-O. Nashville. The Fosters. KDrama.


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