Deep below,
Each word gets lost in the echo
Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2014

The Only Exception | 17

Nathan estava sentado num dos sofás da sala particularmente interessado no livro que lia pela segunda vez em uma semana. Havia qualquer coisa nele que o fazia querer reler no final. Quando Louise entrou na sala seguida de Letizia, transitando até à sala de jantar, impulsionado por uma curiosidade, no seu entender, quase anormal mirou-a de soslaio. Por algum motivo, ela continuava a evitá-lo e isso incomodava-o. O que para si se tornava estranho e assustador. Voltou a concentrar-se no livro, ou pelo menos tentou.

Quando Letizia chamou para a mesa, Thomas ergueu-se ainda em conversa com Garey e Nathan seguiu atrás deles em silêncio e de mãos nos bolsos descontraído, porém, pensativo e algo distante. Sentou-se ao lado de Ellen e em frente a Louise que em instante algum desviou o olhar do prato. O jantar decorreu dentro da normalidade até ao momento em que Ellen decidira ser desagradável.

- Tenho uma dúvida nos meus trabalhos de casa, podes ajudar-me Louise? – Perguntou divertida, piscando os olhos infantilmente para Louise que pela primeira vez desviou os olhos da mesa. – Podes?

Louise engoliu em seco. Estaria Ellen a gozá-la? Não conseguiu olhar para Nathan; mas podia sentir a tensão causada por aquela pequena impertinência. O rapaz tossicou e cutucou a irmã com o cotovelo.

- Eu ajudo-te. – Murmurou-lhe.

Ellen abanou a cabeça.

- Para ti é demasiado fácil. É uma questão tão fácil que eu tenho a certeza que ela também vai saber solucioná-la num instante.

Louise cerrou os dentes irritada e de lágrimas nos olhos levantou-se de repelão batendo com os punhos na mesa. Aquelas provocações eram insuportáveis.

- Pensei que eras um génio, como ele. – Disse irritada, apontando para Nathan, que se contraiu na cadeira um pouco absorto. Porque é que o estava a envolver naquele assunto quando não tinha com a ver com aquilo? De qualquer forma não a censurava, Ellen não perdia uma oportunidade para a provocar. – Se é assim tão fácil porque não resolves tu? – Perguntou-lhe algo descontrolada. – Não preciso que me esfregues na cara o quão incapaz sou. Não preciso de ser relembrada do meu fracasso. Aceita a ajuda do génio ao teu lado e deixa-me de fora das tuas brincadeiras de mau gosto. – Rosnou-lhe. Ellen recostou-se na cadeira e sorriu, deixando Louise absolutamente infeliz. Era tempo perdido tentar dialogar como uma criatura fútil como Ellen. Talvez um dia fosse possível chegar a um consenso. Desviou-se da mesa e arrumou a cadeira. – Thomas, Letizia desculpem, não pretendia perder as estribeiras. Posso retirar-me?

Letizia olhou para Thomas e depois para Ellen com vontade de a esbofetear e depois sorriu amavelmente para Louise.

- Vai querida, logo levo-te uns biscoitos e um copo de leite quente. Não andas a alimentar-te isso faz-te mal.

Louise abanou a cabeça e olhou para Garey para garantir que também tinha a permissão dele antes de se ausentar. Não queria causar nenhum constrangimento a ninguém; mas o mal estava feito. Garey abanou a cabeça e pediu licença para se ausentar por instantes com o intuito de a confortar. Ultimamente não passava de um pai ausente, jamais poderia imaginar o que se passava dentro de Louise. Seguiu atrás dela num passo apressado e parou-a junto ao hall de entrada. Segurou-a por um braço e ouvindo-a soluçar quase em silêncio, abraçou-a com força. Já nos braços do pai, Louise chorou copiosamente até perder as forças que lhe restavam e Garey sentiu-se como se tivesse a enterrar Reiko uma segunda vez.

- Lou, querida perdoa-me. – Murmurou num tom culpado. – Eu devia ter percebido que não estavas bem, invés, envolvi-me demasiado no trabalho e esqueci-me de que apesar da tua jovem e tenra idade, ainda precisas mim.

- Papá… - Tartamudeou em dificuldade. – Eu tentei ser forte, eu tento todos os dias; mas sinto-me inútil. Desculpa, fiz-te parecer mal diante dos Vanderbilt.

- Ó Lou, tu nunca me fazes parecer mal querida, além de que, aqui entre nós aquela pirralha mereceu. – Disse-lhe quase em segredo. Louise gargalhou num tom choroso e entrecortado. – Não comentes com ninguém o que acabaste de ouvir. – Pediu-lhe divertido e ela acenou com a cabeça, garantindo-lhe que seria o segredo de ambos. – Vá, não chores mais. Eu sei que não está a ser fácil, perdeste muita matéria e é demasiado difícil acompanhar o ritmo; mas eu sei que se depositares toda a tua força na conquista desse objectivo, não existe ninguém com força suficiente para te deter. Nem mesmo a Ellen.

Louise enterrou a cara no peito de Garey e apertou-o com força. Soluçou uma última vez e instantes depois afastou-se aos tropeções. Ele acreditava que era possível e isso era suficiente para continuar a perseguir o seu sonho: passar de ano e esforçar-se para entrar no ano seguinte na faculdade.

- Obrigado por acreditares em mim papá. – Disse baixinho, enxugando as lágrimas dos seus olhos inchados e vermelhos com os dedos.

- Se eu não acreditar quem o fará? – Perguntou retoricamente. – És minha filha, tola. Agora vá, vai descansar.

Ela acenou com a cabeça e ao aproximar-se para se pendurar no pescoço do pai para lhe desejar boa noite, viu Nathan com um ar muito sério encostado na ombreira da porta. Quando os olhos de ambos se cruzaram o rapaz engoliu em seco e afastou-se. Incomodada, despediu-se do pai e subiu as escadas a correr.

Encostou-se na porta do quarto ao chegar, respirando fundo distraída. Sem saber como, ou porquê pensou em Nathan e lembrou-se dele instantes antes quando o vira à porta da sala. Parecera-lhe algo afectado; mas como ele era sempre tão sério não sabia se o que vira não passava de mais uma de suas fantasias. Agarrou no pijama e em roupa interior lavada e correu para a casa de banho. Um duche ajudá-la-ia a clarificar as ideias e a dormir mais descansada. Quando regressou ao quarto ainda a enxugar os cabelos com uma toalha, Nathan esperava-a encostado de costas e de mãos nos bolsos na parede ao lado da porta do seu quarto.

Louise parou um pouco absorta, não compreendendo o porquê de ele ali estar. Foi então que se lembrou do combinado; mas a verdade é que nunca achara que ele tencionasse cumprir o que lhe havia dito naquela manhã. Nathan ergueu o olhar e fixou-a sem vacilar, fazendo-a apressar o passo até ao quarto. A rapariga parou quando chegou perto dele e mirou-o de cenho franzido.

- Precisas de alguma coisa? – Perguntou num tom duro, como se não soubesse o porquê de ele ali estar.

Nathan perdeu o equilíbrio por instantes, perguntando-se se aquilo era alguma brincadeira de mau gosto. Endireitou-se e com aquele seu ar sério usual, desencostou-se na parede.

- Não costumo faltar aos meus compromissos. – Disse sorumbaticamente, abrindo-lhe a porta para que ela entrasse. – Entra.

- Mas… - Tartamudeou de olhos esbugalhados, ao sentir aos mãos dele pressionarem-lhe os ombros para a fazer entrar.

Quando chegaram ambos a meio do quarto, Louise sacudiu-lhe as mãos e olhou-o furtivamente. Ele ignorou-a e sentou-se no chão em cima de uma almofada junto a uma mesinha baixa, esperando pacientemente por ela.

- Onde estão os teus livros? – Perguntou. Louise apontou para uma pilha num dos cantos da mesinha. – Começamos dentro de cinco minutos. – Disse, esticando-se para tirar um dos livros aleatoriamente. Matemática fora o escolhido.

Louise bufou, arrastando-se até ao espelho para se pentear e tirar o excesso de água dos cabelos com o secador. Quando terminou, sentou-se do lado oposto de Nathan e mirou-o em silêncio intrigada. Ele sabia que já ali estava; mas a leitura parecia ser mais interessante. Cruzou os braços sobre a mesa e deitou a cabeça neles, continuando a observá-lo sem se pronunciar. Após uma fracção de segundos em silêncio Louise quebrou-o abruptamente.

- Porque é que estás a fazer isto? – Perguntou baixinho.

Nathan tirou os olhos do livro com um sopro incomodado e fitou-a muito sério.

- Porque me comprometi a ajudar-te. – Respondeu. – O director de turma acredita que eu posso ajudar-te, mesmo que não seja verdade devo pelo menos tentar.

- Também acreditas nisso?

- O tempo o dirá. – Disse, precipitando-se para junto dela com um livro do ano anterior. – Começamos por aqui. Tens um lápis?

Louise engoliu em seco ao senti-lo tão perto. Abanou a cabeça e passou-lhe o lápis que tinha no estojo repousado no chão junto à mesa. Observou-o por instantes a marcar tudo o que considerava importante. Quando terminou entregou-lhe o livro e começou a explicar pacientemente a matéria. No final da sessão de explicação, entregou-lhe uma lista de exercícios que preparara durante a tarde daquele dia.

- Obrigado. – Disse-lhe prontamente, segurando a folha.

Leu-a atentamente e procurou começar a resolver os problemas por ele propostos; mas não conseguiu de imediato. Vendo-a atrapalhada, Nathan suspirou.

- Às vezes gostava de perceber o que existe dentro da tua cabeça no lugar do cérebro. – Resmungou impacientemente. Louise mostrou-lhe a língua. – Faço este contigo e o resto fazes sozinha, a lógica é igual.

A rapariga abanou a cabeça e bocejou. Olhou então para o relógio e esbugalhou os olhos ao ver os ponteiros marcar a uma da madrugada.

- Mas já é tão tarde. – Protestou infantilmente. – Tenho sono.

- Só sais daqui para a cama quando os terminares. – Disse, apontando para a folha.

- És cruel, nem pedi a tua ajuda. – Murmurou derrotada.

Nathan silenciou-se, calando a vontade de rir. Ele próprio sentia-se cansado, afinal estudara mais naquele dia do que em todos os anos de escola juntos que já tinha; mas não podia desistir já dela. Havia muito trabalho pela frente, porém, considerava que a dedicação de Louise era uma preciosa ajuda… seria difícil, contudo, começava a acreditar que não era impossível. Ajudou-a como prometera com o primeiro exercício e depois ficou a vê-la resolver os restantes até ao instante em que os seus olhos não aguentaram mais e se fecharam.

Louise terminou os exercícios quase duas horas depois, com alguma persistência e perseverança sem se distrair com nada, nem com ninguém, sobretudo com ninguém e isso incluia Nathan que deixara de lhe  prestar atenção há muito, porém, ela não sabia. No final, colocou o lápis de lado e espreguiçou-se.

- Nathan já termin- – Calou-se abruptamente ao vê-lo encostado à sua cama a dormir profundamente.

Observou-o por instantes com um sorriso aparvalhado nos lábios e no final, cansada levantou-se para descansar um pouco. Sem coragem para o acordar, tapou-o com um cobertor e sentou-se desconfortavelmente ao lado dele, encostada à cama. Não se atrevia a usá-la quando Nathan permanecia adormecido no chão.

 

Estive ausente por um motivo: queria terminar o capítulo seguinte antes de publicar este; mas não consegui. Na verdade ainda só adiantei uma página. Anyway, estou muito contente com o vosso feedback e só por isso devia cá vir mais vezes; mas não tenho conseguido desenvolver os capítulos mais rápido, apesar de ter as ideias organizadas. Ultimamente termino a dizer sempre o mesmo; mas não é necessário muito mais: xiéxié ni (Obrigado) Vanessa e Sacha.

publicado por a.nee às 22:13
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2 comentários:
De • Smartie a 12 de Dezembro de 2014 às 22:50
Que fedelha mais irritante, aquela Ellen...sempre a deitar a Louise abaixo, ainda bem que desta vez ela lhe respondeu u.u
Gostei do facto de o Nathan ter começado a ajudar a Louise ^^ Acho que vai ser muito bom para ela :) E a parte final do capítulo foi tão querida, aww *-* :3
Mais, mais! :D
Beijinhos*


De sacha hart a 13 de Dezembro de 2014 às 11:21
Será muito mau desejar que alguém tivesse dado um estalo a Ellen? A ver se a miúda aprendia. Fiquei com o coração apertado nessa parte do capítulo. Tenho tanta pena da Louise!
Mas o melhor de tudo foi mesmo o fim do capítulo. Oh se foi! Estou curiosa para ver como vai ser quando o Nathan acordar e se vir no quarto dela!
Beijinhos


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The Only Exception


Nathan Vanderbilt tinha uma vida normal - até ao dia em que conheceu o seu pior pesadelo: Louise McKenzie. Sério, frio, calculista, prepotente e irrepreensivelmente inteligente e popular no colégio; enquanto Louise não passa de uma rapariga normal com notas medíocres; sonhadora, sensível, intensa e verdadeira espera reunir as condições necessárias para se aproximar do coração enregelado do filho mais velho dos Vanderbilt a quem nunca nenhuma namorada se lhe conheceu. Numa luta interior constante, Nathan irá perceber que não tem como fugir á realidade, à novidade e aquilo que sente pela filha do melhor amigo do pai.

SOBRE A HISTÓRIA.


Profile

Ana. 29 anos. Licenciada em Engenharia Informática. Seguros. Música. Ler. Escrever. 30 Seconds To Mars. Aaron Yan. Muse. Linkin Park. Green Day. Three Days Grace. Snow Patrol. Kings Of Leon. Paramore. Game Of Thrones. Switched At Birth. Suits. Once Upon a Time. Teen Wolf. Heart Of Dixie. Covert Affairs. Arrow. The Flash. Bones. Hawaii Five-O. Nashville. The Fosters. KDrama.


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