Deep below,
Each word gets lost in the echo
Sexta-feira, 5 de Outubro de 2018

The Only Exception | 33

Antes mesmo de Louise conseguir entrar em casa, Nathan levantou-se como que movido por um impulso que nem ele compreendia, segurando-lhe um dos pulsos com uma delicadeza incerta. Abraçou-a pelas costas e pousou o queixo num dos seus ombros em silêncio apenas por alguns instantes, ignorando todo e qualquer tipo de constrangimento que pudesse estar a sentir ao revelar um lado de si tão pessoal e fragilizado. Não fora um gesto premeditado, na verdade aquela sua reacção fizera um pequeno estrago no seu orgulho; mas sentira uma súbita necessidade de a ter perto de si.

E mais uma vez, estava plenamente consciente da influência daquela desmiolada na sua vida, no seu coração, de como a sua presença o fazia sentir-se uma pessoa normal para não dizer ele mesmo sem reservas. Calou um gemido de resignação ao morder o lábio inferior, deixando escapar uma risada sumida depois. Como era irónico o facto de se dar ao luxo de perder tempo a debater aquele tipo de questões quando nunca tivera nenhum interesse nelas.

Sabia também que todas aquelas provocações e confrontos eram apenas um pretexto para se enganar, para tentar mantê-la o mais longe possível de si e do seu coração. Se estava a resultar? Não tinha nem ideia. Cria que não. Havia quem o acusasse de ter medo da intimidade e de se envolver, havia teorias e conspirações sobre os seus gostos pessoais; mas nada disso o aborrecia. Não como Louise ou os sentimentos que ela desenvolvera por si. Ou a pureza desses sentimentos e do seu carácter e personalidade que o conquistavam dia após dia.

Com ela, tinha alturas em que se sentia demasiado vulnerável, senão transparente. Alturas como aquela; em que era ela o motivo que o fazia seguir em frente, o motivo pelo qual, muitas vezes dava por si a sorrir. Ela era uma lufada de ar fresco, revigorante como um néctar e que tornava os seus dias muito mais aprazíveis e interessantes.

Louise aguardou em silêncio, constrangida, sem saber o que fazer numa situação tão anormal como aquela, onde claramente lhe quis parecer que Nathan perdera o juízo momentaneamente. Sentia o calor do seu corpo e a firmeza do seu peito nas costas, um gesto em jeito de posse que fez as suas pernas estremecerem com um espasmo de incompreensão, a ponto de quase perder o equilíbrio. Sentia igualmente a firmeza dos seus braços fortes que a guardavam zelosamente e que a deixaram inerte e sem reacção como se estivesse pregada ao chão por um par de minutos que lhe pareceram infinitos. E algures na sua inocência sabia estar feliz, desejando ficar assim por apenas mais alguns instantes.

Silêncio. Mais silêncio. Obrigado. Ela conseguiu por fim ouvi-lo dizer, quando até ali apenas ouvira a melodiosa canção do mar, das ondas a rebentar na costa, da brisa a soprar. Não respondeu, contudo. Sabia que não era isso que ele procurava quando lhe agradecera. Conhecia-o bem demais e por isso sabia de antemão que ele estava apenas a agradecer o seu silêncio. Não havia nada de comum e dado como certo quando se tratava de Nathan e só alguém como Louise conseguia ver além da superficialidade dos seus sentimentos e emoções. Os braços de Nathan estreitaram-se mais um pouco à sua volta, colocando-a numa posição comprometedora que a deixou inquieta e a engolir em seco.

Tudo em si gritava para que corresse; mas ela não conseguia deixar o conforto e segurança dos braços de Nathan. A verdade é que estava demasiado petrificada para conseguir mexer um músculo que fosse. E ele sabia disso.

Tinha, porém, consciência de que Louise estaria provavelmente chocada com aquele abrupto abraço, dado a ausência de reacção da sua parte; mas isso não se resumia apenas ao choque. Por muito que negasse, mesmo sem nada dizer, ela era a pessoa que melhor o conhecia. E o seu fascínio por ela residia em parte aí.

Louise engoliu em seco agarrada aos braços dele que permaneciam envoltos no seu pescoço como se tentasse protegê-la de alguma coisa, talvez dele mesmo. Manteve o silêncio com receio de estragar o pequeno elo que ele criara entre ambos. Ainda que durasse milésimos de segundo queria estimá-lo, guardá-lo como um dos seus momentos preciosos e intimistas com Nathan. Não teria muitos no futuro.

Alguns minutos depois ele afastou-se e segurando-a pela mão, conduziu-a até ao sofá, onde se sentaram. Nathan meneou com a cabeça na direcção do braço do sofá, deixando-a confusa.

- Deita-te e coloca o pé magoado aqui. – Ordenou, apontando para as suas pernas.

Louise não conseguiu reagir eficazmente, permanecendo imóvel no sítio onde ele a deixara, abrindo e fechando a boca meio que incrédula como um peixe fora de água. Nathan revirou os olhos, escondendo um meio sorriso. Agarrou em ambas as pernas da rapariga colocando-as sobre o seu colo e atirou-lhe a manta que estava sobre o sofá para se tapar. Aquela noite era curiosamente uma das mais frias de que se lembrava em pleno Verão.

Lentamente, não ignorando de todo o facto de que Louise o observava com um esgar estupefacto e embevecido, massajou-lhe o pé magoado. Tinha várias perguntas para lhe fazer, mas não lhe parecia o momento ideal para a questionar. Havia aquela parte de si que revelava um medo invulgar das respostas que ela lhe pudesse dar; mas havia também aquela outra parte de si que queria saber a verdade. Queria compreender o que acontecera naquela mesma noite que deixara Ellen tão abalada emocionalmente. Queria saber se Mike era apenas uma partida da sua imaginação ou se o rapaz que saíra a correr era realmente o irmão.

Mas não podia questioná-la agora. Quando voltou a olhar para Louise, ela já havia adormecido. Parecia serena, aparentemente; mas nos seus olhos pôde contemplar com alguma tristeza que um par de lágrimas ficara suspenso por entre as suas longas e perfeitas pestanas negras. Sentiu-se impotente. Pela primeira vez sentiu que realmente não era capaz de realizar algo, mesmo em meio a tanto conhecimento e sabedoria.

Levantou-se lentamente, tentando não fazer barulho ou magoá-la enquanto pousava o pé dela no sofá e depois aproximou-se em silêncio e pensativo do seu rosto. Reprimindo por instantes a suas emoções, ficou ali a vê-la dormir. O que é que ela tinha de tão especial que o fazia ficar ali? Perguntava-se ligeiramente incomodado com o frenesim que havia agora dentro de si. Estendeu uma das mãos até ao rosto dela, enxugando as lágrimas dos seus olhos com o polegar e no final, não contendo as suas próprias vontades, inclinou-se para lhe beijar os lábios.

Naquele momento, a sua cabeça pareceu esvaziar-se de tudo. O beijo não foi reciproco, mas ele pôde sentir por alguns instantes que aqueles lábios lhe pertenciam e que em algum momento, não saberia como resistir à tentação de os ter só para si. Quando se ergueu, viu Ellen empoleirada nas costas do sofá de olhos esbugalhados e com um grito histérico preso na garganta.

- Nate-

- Sch! – Murmurou, interrompendo-a abruptamente. – Para todos os efeitos, não viste nada. – Advertiu-a muito sério.

Ellen torceu o nariz inconformada, balançando a cabeça. Não compreendia o que se estava a passar, havia agora um nó incómodo na sua cabeça. Aquela reacção, aquela atitude não era de todo coerente com as atitudes diárias do irmão para com a chata da Louise, queria parecer-lhe. Perguntava-se um pouco confusa, quando foi que Nathan começara a olhar para ela daquela forma. Era difícil de perceber. O irmão nunca dava a conhecer por inteiro o que sentia. Era inexpressivo a maior parte do tempo, embora… tinha de reconhecer que com a chegada de Louise, ele havia mudado um pouco. Parecia-lhe constantemente em conflito e agora percebia porquê.

- Não me cabe a mim contar. – Murmurou, afastando-se do sofá.

Depois, arrastando os pés no chão, dirigiu-se às portadas do jardim das traseiras e foi sentar-se nas escadas a olhar o mar. Nathan aconchegou Louise com o seu casaco e seguiu logo após, atrás da irmã, sentando-se junto a ela. Sentia que ambos precisavam falar. Ellen com toda a certeza estaria a precisar do seu ombro.

- Como te sentes? – Perguntou-lhe.

- Não estou doente.

Nathan riu baixinho.

- Eu sei disso. – Disse, rindo. – Só queria saber se estás mais calma.

Ellen suspirou pesadamente e no final, encostou a cabeça no ombro do irmão verdadeiramente tentada a chorar.

- Era ele Nate. – Murmurou, passando as costas das mãos nos olhos violentamente. – Eu tenho a certeza que era ele, o Mike. – Esbracejou descontrolada, desencostando-se dele para o olhar. – Eu não estou maluca Nate. Só não percebo porque é que fugiu.

Nate engoliu em seco, sentindo um nó no estômago formar-se. Não questionava a veracidade do que ela havia visto. Contudo, havia passado muitos anos, Ellen era muito pequena quando Mike foi dado como desaparecido em combate e mais tarde o óbito por falta de notícias que comprovassem o contrário, por isso ainda não descartara de todo a hipótese de que a irmã estivesse a fazer confusão e o rapaz que tão veemente lhe parecera ser Mike fosse outra pessoa qualquer.

De qualquer forma, não deixava também de ser suspeita a reacção daquele estranho. Nathan via-se agora envolvido num turbilhão de conjecturas que tinham tanto de verdadeiras como de falsas. Mas poderia haver inúmeras razões para ele ter corrido numa fuga desesperada sem lhes falar. Então, abraçou-se a Ellen com força tentando permanecer calmo.

- Não te posso prometer nada Ellen, mas garanto-te que enquanto aqui estivermos vou procurar esse rapaz. – Fez-lhe uma festa na cabeça, sorrindo. – Agora, tu tens de prometer-me que se no final das férias não tivermos rasto dele, esqueces o assunto.

- Mas Nate-

- Chega Ellen. – Disse, num tom duro e quase cruel; mas necessário. Era absolutamente desnecessário abrir novas feridas, quando as antigas ainda nem haviam sarado. Precisava fazê-la entender isso. – Não quero ver a mãe naquele estado deplorável novamente por via de algo que pode não dar em nada de concreto.

- Está, está, eu prometo que não digo nada. – Disse, em protesto, levantando-se para regressar ao quarto. – Boa noite.

Nathan suspirou e enterrou a cara nos joelhos, por instantes sem saber ao certo o que fazer ou por onde começar. A única certeza que tinha era de que aquela dor tinha um sabor demasiado amargo. Ergueu o rosto, piscando os olhos inúmeras vezes para correr com as lágrimas e depois levantou-se para entrar em casa. No caminho de regresso, parou em frente a Louise para a observar só mais um pouco e depois subiu para descansar.

 

O sol entrou pelo alpendre a dentro pouco antes das sete da manhã, iluminando toda a casa. As cortinas da sala não estavam corridas e por isso, Louise despertou ao receber no rosto o calor dos primeiros rasgos de sol. Espreguiçou-se, esticando o corpo no sofá descontraidamente ainda a bocejar. A primeira coisa que chamou a sua atenção foi a ausência da dor no pé. Gargalhou divertida, mexendo o pé para aqui e para acolá satisfeita. Sentou-se, então no sofá de pernas cruzadas por instantes, reparando depois na peça de roupa que ainda lhe cobria parte das pernas. Nathan. Pensou, tapando o sorriso que lhe rasgava o rosto com as mãos.

Naquele instante a sua imaginação voou para lugares inalcançáveis. Não se recordava ao certo o que teria acontecido, pois estava bêbada de sono. A última recordação com que ficara da noite anterior foi a de Nathan a colocar-lhe gelo no pé. Tão atencioso e cuidadoso como nunca o havia visto. Por muito aborrecida que estivesse com ele naquela altura, não durou por muito tempo.

Os passos pesados de alguém nas escadas fizeram-na sobressaltar-se e esconder o casaco atrás das costas hirtas enquanto tossia atrapalhada. O barulho cessou repentinamente. Quem quer que tivesse acabado de descer não tencionava prosseguir, como se algo tivesse tirado a sua atenção. Novamente os passos ligeiros, ligeiramente pesados no soalho da sala que a fizeram estremecer.

- Já estás acordada.

A voz rouca de Nathan trespassou-a de uma forma que nem ela mesma compreendia. Ao virar o rosto, erguendo-o para olhar para ele percebeu que a distância que os separava era tão ridiculamente pequena que a fez engolir em seco. Por instantes, Louise sentiu a respiração dele no seu rosto, acariciando involuntariamente os seus lábios. Enquanto isso, os olhos dele perscrutavam-na atentamente. Piscando várias vezes os olhos, Louise sorriu atrapalhada e afastou-se aos tropeções, caindo desamparada no chão.

Nathan abanou a cabeça e riu descontraidamente. Estar consciente da sua influência nela, com certeza, não o faria ser menos cruel. Até porque eram esses pequenos momentos de crueldade que permitiam que a sua sanidade permanecesse intacta. Ou pelo menos assim queria crer. Louise levantou-se do chão, deixando escapar um protesto resignado que o fez rir. Embora não o dissesse em voz alta, Nathan sabia que ela estaria provavelmente a chamar-lhe todos os nomes feios e mais alguns inventados por aquela sua grande imaginação fértil. E que alguém o ajudasse, pois quando ficava irritada ela parecia-lhe sempre demasiado atraente.

- Vou fazer o pequeno-almoço. – Informou, troteando de seguida num passo trôpego até à cozinha.

- Não te incomodes por via de mim. – Disse Nathan, seguindo de imediato atrás dela. – Não quero apanhar nenhuma espécie de intoxicação.

Louise parou abruptamente ao ouvir o criticismo implícito naquela observação. Respirou fundo algumas vezes, talvez várias vezes antes de se virar para lhe poder responder à letra. Quando se sentiu finalmente capaz de o fazer, as palavras certas simplesmente tinham sumido. Não sabia quando, nem como ou mesmo o porquê de Nathan insistir naquele tipo de proximidade entre eles. O seu dedo acusador estendido bateu-lhe de imediato no peito firme e sólido, quando se virou, tornando real a inexistência da habitual distância que havia entre eles.

- Não comas então. É um problema que não é meu. – Balbuciou, recuando aos tropeções.

A inexpressividade de Nathan era absolutamente irritante. As suas atitudes ultimamente eram contrárias ao que lhe saia pela boca, no entanto, a sua postura indiferente continuava aparentemente intacta. A suposta aversão que lhe tinha continuava a existir e a fazer nela uma moça emocional permanente.

No entanto, e apesar de se sentir absolutamente miserável por conta de um amor não correspondido, não conseguia ser egoísta a ponto de ignorar o que se passava à sua volta ou com ele. E o problema é que quando tentava lê-lo, parecia que nunca saía da página das dedicatórias.

Nathan trocou o peso do corpo de um pé para o outro enquanto a observava. Sentia-se invulgarmente divertido naquele momento. O ardor na voz da rapariga e o seu aparente e peculiar desinteresse pelo seu bem-estar não lhe parecia de todo verdadeiro. Além de que, podia ver o corpo dela reagir instintivamente e de uma forma tão natural à sua presença, refutando tudo o resto.

- Mas aceito um café. – Murmurou descontraidamente. – Eu preparo o resto.

- O quê? – Pigarreou surpresa.

Segurando-a pelos ombros com uma delicadeza e subtileza que a deixou absolutamente absorta, conduziu-a até à máquina do café.

- Não é o quê. – Respondeu monocordicamente. Estendeu os braços ao armário exactamente acima das cabeças de ambos para retirar o café, pousando-o sobre a bancada. – Confio que sejas capaz de me fazer um café decente.

E ele sabia que sim.

- Mas-

- O café. – Retrucou num tom peremptório que a fez engolir o protesto que estava já na ponta da língua. – Não te preocupes com o resto.

Louise mordeu o interior da bochecha intrigada. Ele conseguia sempre de uma forma ou de outra criar o caos na sua cabeça. Um verdadeiro nó cego que a deixava sempre muito confusa. Não querendo iniciar uma discussão logo pela manhã, fez como ele dissera e preparou um café bem forte. Em todo o caso sabia que ele iria precisar de algo assim.

Ainda era cedo, pelo que continuavam a ser os únicos ali. Enquanto preparava o café, Louise não conseguiu evitar observar a agilidade de Nathan na cozinha e a forma delicada com que se dedicava aquela tarefa em particular. Não era como se fosse a primeira vez que ele cozinhava para si; mas tinha de admitir que era sempre especial. Em todo o caso e ainda que isso pudesse deixá-la com um sorriso idiota o dia inteiro no rosto, não conseguia deixar de pensar nas motivações que ele poderia ter para se dar a todo aquele trabalho quando claramente a detestava.

Ainda que ele próprio também tivesse de comer. Atendendo à sua peculiar personalidade e ao que conhecia dele, sabia que Nathan era igualmente egoísta a ponto de fazer apenas o pequeno-almoço para si próprio se assim o entendesse. Foi então que se lembrou de Michael e do reboliço constrangedor que acontecera na noite passada. E face à lembrança dessas memórias, Louise sabia que ele deveria ter muitas perguntas para lhe fazer.

 

Sem previsão para próximos capítulos... apenas porque sim, não é como se me restasse alguém interessado por aqui. Whatever.

publicado por a.nee às 23:31
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The Only Exception


Nathan Vanderbilt tinha uma vida normal - até ao dia em que conheceu o seu pior pesadelo: Louise McKenzie. Sério, frio, calculista, prepotente e irrepreensivelmente inteligente e popular no colégio; enquanto Louise não passa de uma rapariga normal com notas medíocres; sonhadora, sensível, intensa e verdadeira espera reunir as condições necessárias para se aproximar do coração enregelado do filho mais velho dos Vanderbilt a quem nunca nenhuma namorada se lhe conheceu. Numa luta interior constante, Nathan irá perceber que não tem como fugir á realidade, à novidade e aquilo que sente pela filha do melhor amigo do pai.

SOBRE A HISTÓRIA.


Profile

Ana. 29 anos. Licenciada em Engenharia Informática. Seguros. Música. Ler. Escrever. 30 Seconds To Mars. Aaron Yan. Muse. Linkin Park. Green Day. Three Days Grace. Snow Patrol. Kings Of Leon. Paramore. Game Of Thrones. Switched At Birth. Suits. Once Upon a Time. Teen Wolf. Heart Of Dixie. Covert Affairs. Arrow. The Flash. Bones. Hawaii Five-O. Nashville. The Fosters. KDrama.


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