Deep below,
Each word gets lost in the echo
Sábado, 30 de Agosto de 2014

The Only Exception | 7

Constrangida, voltou a olhar para os pés. Não sabia explicar o que se passava, na verdade parecia algo demasiado irracional para si porque nunca se sentira deslocada até aquele mesmo instante. Ali diante de todos aqueles desconhecidos, sentia-se despida e indefesa. Podia sentir os olhares curiosos e avaliativos atentos a si e pela primeira vez sentiu que não pertencia ali.

E ele…? Jamais imaginara que pudesse voltar a encontrá-lo, não depois daquele incidente constrangedor. Sem saber por que motivo, os seus olhos não puderam desviar-se da sua figura arranjada ou do seu rosto constituído por finos traços viris, cujos vestígios de barba acabada de fazer o faziam parecer ainda mais atraente e difícil de ignorar. Assim, como a sua indiferença era difícil de não ser notada. Tinha olhado para ela apenas quando entrara na sala e agora distraía-se com um livro, talvez mais interessante que ela própria.  

- Louise.

O professor aproximou-se e tocou-lhe no ombro, fazendo-a estremecer.

- Sim. – Disse baixinho, levantando o olhar corajosamente uma segunda vez; mas agora tentando distribuir a sua atenção amplamente por todos os colegas. Era quase impossível. – Desculpe.

- Quer apresentar-se? – Perguntou.

- Tenho de o fazer?

A ideia era um pouco assustadora. Se pudesse optar, e sentia que ele lhe estava a dar uma opção, não o faria.

- Não obrigatoriamente.

- Ahm… – Murmurou indecisa, olhando para cada um dos colegas. – Chamo-me Louise McKenzie, - Começou por dizer. O rapaz ao fundo da sala, cujo nome ainda desconhecia, desviou os olhos do livro, uma segunda vez e mirou-a. A sua expressão era indecifrável; mas quase que podia jurar que algo em si chamara a sua atenção. – Nasci em Tóquio, mudei-me para Jacksonville aos nove anos e cheguei hoje a Nova Iorque.

Louise obrigou-se a parar, não apenas porque não sabia o que acrescentar ao que já havia dito; mas porque não achava sensato entrar em pormenores e dar-se a conhecer tão abertamente logo de início. A atenção do rapaz ao fundo da sala também a deixou incomodada, era como se ele esperasse mais qualquer coisa que desfizesse a dúvida que o perturbava. Olhou para o professor e inclinou o tronco em respeito ao docente.

- Obrigado Louise.

- Posso sentar-me? – Perguntou rapidamente com o objectivo de sair da frente das objectivas.

- Sim, procure um lugar vago. – Respondeu, aproximando-se da secretária. – Os restantes abram os vossos livros na página 45.

Louise observou a sala atenta até perceber que o único lugar vago era a carteira de madeira ao lado dele. Estavam apenas separados por um corredor. Baixou o rosto e passou por entre os colegas, desviando-se com uma destreza necessária para não tropeçar e sentou-se.

- Se jogasses na lotaria se calhar não tinhas tanta sorte. – Murmuram perto de si.

Ao erguer o olhar para o lado viu Raphael, pensava ser esse o seu nome, virado para trás com um sorriso zombeteiro no rosto a provocar o amigo, usando-a como tema de conversa. O outro pousou o lápis e encostou o rosto numa das mãos com um ar aborrecido.

- Não me provoques. E além disso, quem é que se importa com isso? – Murmurou por entre dentes, voltando depois a sua atenção para o exercício que o professor acabara de recomendar que fizessem.

Louise não conseguiu sentir nada mais do que uma breve indignação. Achavam-se tão superiores e ela na sua inocência não percebia porquê, embora tivesse a certeza de que descobriria em breve. Passou o resto da aula atenta ao rapaz do seu lado. Pareciam todos demasiado empenhados e embrenhados no exercício e ela por não ter trazido material e sem contar com uma aula de apresentação naquele dia, não demonstrou qualquer interesse em resolvê-lo. De repente, o rapaz arrumou o lápis e encostou-se na cadeira e recomeçou a leitura do seu livro.

Ela abriu muito os olhos e olhou para o relógio que trazia pendurado no pulso. Não fazia sentido. Como é que ele terminara tão rápido? Os outros pareciam estrebuchar para resolvê-lo e ele num estalar de dedos simplesmente arrumara o exercício.

- Precisas de alguma coisa? – Perguntou-lhe secamente sem desviar a sua atenção do livro.

Provavelmente já teria reparado na sua insistência em observá-lo. Louise engoliu em seco e tossicou atrapalhada.

- Não. – Respondeu baixinho.

- Estava a ser irónico. – Murmurou desinteressado. – Estava a sentir-me observado.

- Desculpa. – Disse embaraçada. Baixou o rosto por instantes; mas depois voltou a olhar para ele. – Estava aqui a perguntar-me… - Retesou-se quando ele lentamente baixou o livro e olhou para si. Não sabia se devia continuar. – Como foi que conseguiste terminar tão rápido quando eles parecem todos aflitos em resolver o exercício.

O rapaz fez um meio sorriso cheio de ironia e passou-lhe o livro com o exercício para que ela pudesse espreitar e ver por si só como foi que conseguira.

- Não era assim tão difícil.

Louise olhou para o exercício e arregalou os olhos. Ele estava a gozar consigo. Era a única conclusão a que chegava. Observou o exercício mais uma vez e percebeu que ela não conseguiria resolvê-lo.

- Pois não. – Concordou com um riso nervoso. Nada difícil. Quis acrescentar, invés pensou apenas na possibilidade de o fazer. – Era mesmo fácil.

Devolveu-lhe o livro e reparou que ele ria desdenhosamente. Obviamente não lhe passara despercebido o facto de que estaria apenas a ser simpática ao confirmar a ideia de que era um exercício fácil, quando na verdade o era apenas para ele. Depois viu-o levantar-se para ir resolver o exercício ao quadro e quando ele regressou a aula foi dada como terminada e viu-o sair sem olhar para trás com um saco desportivo às costas levando Raphael no seu encalço.

 

 

Estão a ficar maiores os meus rascunhos. E eu não faço ideia de quantos vão haver, para já sei que tenho várias ideias para desenvolver.

publicado por a.nee às 17:18
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3 comentários:
De • Smartie a 30 de Agosto de 2014 às 19:17
Ele é mesmo simpático, bolas ^^' Coitada da Louise, tenho pena dela :3
Mais! :D
Beijinhos*


De sacha hart a 1 de Setembro de 2014 às 18:49
Quase imagino o Nate a dar umas explicaçõesinhas à Louise ;P
Gosto muito dela e da ingenuidade dela, que ainda assim vai-se apercebendo das coisas. 
Fico à espera para ler mais ^^


De summer wright a 2 de Setembro de 2014 às 14:08
gosto imenso do rapazinho! não devia, tem um pouco o ar de bad boy...mas como resistir?


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The Only Exception


Nathan Vanderbilt tinha uma vida normal - até ao dia em que conheceu o seu pior pesadelo: Louise McKenzie. Sério, frio, calculista, prepotente e irrepreensivelmente inteligente e popular no colégio; enquanto Louise não passa de uma rapariga normal com notas medíocres; sonhadora, sensível, intensa e verdadeira espera reunir as condições necessárias para se aproximar do coração enregelado do filho mais velho dos Vanderbilt a quem nunca nenhuma namorada se lhe conheceu. Numa luta interior constante, Nathan irá perceber que não tem como fugir á realidade, à novidade e aquilo que sente pela filha do melhor amigo do pai.

SOBRE A HISTÓRIA.


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Ana. 29 anos. Licenciada em Engenharia Informática. Seguros. Música. Ler. Escrever. 30 Seconds To Mars. Aaron Yan. Muse. Linkin Park. Green Day. Three Days Grace. Snow Patrol. Kings Of Leon. Paramore. Game Of Thrones. Switched At Birth. Suits. Once Upon a Time. Teen Wolf. Heart Of Dixie. Covert Affairs. Arrow. The Flash. Bones. Hawaii Five-O. Nashville. The Fosters. KDrama.


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