Deep below,
Each word gets lost in the echo
Domingo, 17 de Agosto de 2014

The Only Exception | 2

Uma semana após o desastre natural que invadira o estado da Flórida, a cidade de Jacksonville ainda não retomara as suas actividades normais a tempo inteiro. Eram incontáveis as famílias que de um momento para o outro haviam perdido tudo. As casas, os negócios e ente-queridos. Muitos deles não tinham forma de se sustentarem sem a ajuda de vizinhos mais abastados ou do estado norte-americano que fazia tudo o que estava ao seu alcance para tornar aquela situação menos difícil para cada uma dessas famílias.

Garey e Louise partilhavam uma cama num abrigo construído às pressas, sem condições e sem privacidade. Nenhum deles reclamava, não se sentiam no direito de o fazer perante um cenário tão desolador; mas Garey era um homem de decisões firmes e não levaria muito tempo a descobrir a solução para aquele problema.

Louise estava sozinha naquele dia. O liceu continuava encerrado; mas a advocacia onde o pai trabalhava como director financeiro retomara finalmente as suas habituais funções e era por isso, lá que ele se encontrava. A rapariga passava os dias junto dos profissionais de saúde, na tenda imediatamente ao lado, observando-os com atenção. Talvez se não fosse tão desajeitada pudesse eventualmente ajudar. Aproximou-se com um livro de literatura inglesa nas mãos da cama do senhor Parker, o velhote que conhecera no dia em que ali chegara e que estava agora em estado terminal. Ele pedia que lhe lesse um capítulo daquele mesmo livro que ela transportava, todos os dias aquela hora. Mas naquele dia algo estava errado.

Ao abrir a cortina deparou-se com uma cama vazia e caiu de joelhos a prantear tristemente. Olhou para o livro e comprometeu-se a aprender a lê-lo sem tropeçar em sua memória. Regressou á sua tenda alguns minutos depois já recomposta e deitou-se de barriga para cima de olhos fechados. Não se reconhecia. Não tinha ideia do que poderia fazer para ajudar mesmo que quisesse. O seu fascínio pela medicina não era suficiente. Agora que pensava no assunto, sentia-se uma verdadeira calamidade. As suas notas eram desastrosas.

Virou-se na cama e adormeceu. Sem se aperceber dormiu o resto dia e só acordou quando Garey chegou e se sentou na ponta da cama junto a ela e lhe fez uma festa no rosto. Ao abrir os olhos viu um sorriso no rosto do pai. Apressou-se a sentar e ainda a esfregar os olhos perguntou-lhe como lhe correra o dia.

- Recebi um telefonema de um antigo colega de faculdade. – Começou por dizer. Louise atentava para o que ele lhe dizia e acabara de perceber que ele não lhe respondera à pergunta. Bom, só podia concluir que o dia lhe correra muito bem a julgar pelo entusiasmo com que falava. – Na verdade ele era o meu melhor amigo; mas depois de deixar Nova Iorque para casar com a tua mãe perdemos contacto.

- Isso é triste. – Respondeu.

- Eu sei. – Disse embaraçado. – Por isso, fiquei relutante aquando da sua oferta.

Garey suspirou e olhou para o tecto da tenda pensativo.

- Que oferta papá? – Perguntou curiosa, ajoelhando-se na cama. Garey permaneceu em silêncio. – Papá?

- Um trabalho. – Disse pausadamente, mirando-a com alguma incerteza. – Em Nova Iorque. Iriamos morar com ele e a sua família em Queens.

Louise abriu a boca e tapou-a de seguida com as duas mãos. Nova Iorque? Que espécie de brincadeira era aquela? Perguntava-se. Agarrou as mãos do pai com um sublime rasgo de entusiasmo e abanicou-as.

- Odiaria deixar a minha vida aqui para trás; mas Nova Iorque é uma oportunidade em um milhão papá. Tens de aceitar.

Garey sorriu. Já tinha aceitado sem pestanejar, apenas a pensar no bem-estar de Louise. Aquela estadia e o emprego nas empresas Vanderbilt em Manhattan dar-lhe-iam alguma margem de manobra até se recompor financeiramente para poder caminhar pelos seus próprios pés e prover à filha uma qualidade de vida que de momento lhe parecia impossível dar.

- Já aceitei, partimos amanhã de manhã.

Louise caiu de costas na cama com um sorriso de evidente alegria e fechou os olhos contemplando através de imagens fantasiadas por si como seria andar nas ruas de Nova Iorque. A cama estremeceu quando Garey se levantou e ouviu-o rir antes de abandonar a tenda. Obviamente estaria a rir-se dela. Estarei a sonhar? Perguntava-se incredulamente. Nova Iorque era o seu sonho de menina. Não tinha grandes expectativas – muito menos falsas expectativas – para o seu futuro, não mentiria jamais sobre isso; mas gostava de entrar numa Universidade, fazer amigos e tornar-se numa pessoa útil para a sociedade.

 

Consegui mais qualquer coisa; mas não prometo continuação. Vamos ver.

publicado por a.nee às 20:46
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5 comentários:
De • Smartie a 17 de Agosto de 2014 às 23:06
Uma oportunidade para mudar de vida vem sempre a calhar, principalmente depois de uma situação tão complicada como a que eles enfrentaram. Adorei :)


De summer wright a 18 de Agosto de 2014 às 04:57
continua, anne!
parece-me que já vi o nome louise noutras fics tuas. é um dos teus favoritos? gosto muito dele.
random, random, eu sei.
tens ali um errozinho no acento do "à".


De a.nee a 18 de Agosto de 2014 às 13:13
Tentarei.
Por acaso não; mas foi o que primeiro me veio à cabeça. xDD
Obrigado, irei rectificar.


De Miguel Alexandre Pereira a 22 de Agosto de 2014 às 10:13
Gostei da história, achei o enredo bastante interessante. Belo trabalho! Espero que venha daí continuação :)


De a.nee a 22 de Agosto de 2014 às 19:36
Obrigado :)
Também espero que sim, vamos ver se dá para mais.


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The Only Exception


Nathan Vanderbilt tinha uma vida normal - até ao dia em que conheceu o seu pior pesadelo: Louise McKenzie. Sério, frio, calculista, prepotente e irrepreensivelmente inteligente e popular no colégio; enquanto Louise não passa de uma rapariga normal com notas medíocres; sonhadora, sensível, intensa e verdadeira espera reunir as condições necessárias para se aproximar do coração enregelado do filho mais velho dos Vanderbilt a quem nunca nenhuma namorada se lhe conheceu. Numa luta interior constante, Nathan irá perceber que não tem como fugir á realidade, à novidade e aquilo que sente pela filha do melhor amigo do pai.

SOBRE A HISTÓRIA.


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Ana. 29 anos. Licenciada em Engenharia Informática. Seguros. Música. Ler. Escrever. 30 Seconds To Mars. Aaron Yan. Muse. Linkin Park. Green Day. Three Days Grace. Snow Patrol. Kings Of Leon. Paramore. Game Of Thrones. Switched At Birth. Suits. Once Upon a Time. Teen Wolf. Heart Of Dixie. Covert Affairs. Arrow. The Flash. Bones. Hawaii Five-O. Nashville. The Fosters. KDrama.


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